O Dia de Finados, celebrado neste sábado (2), movimentou os cemitérios de Cuiabá desde as primeiras horas da manhã. A data, marcada por homenagens, orações e memórias, deve reunir cerca de 40 mil visitantes ao longo do dia nos principais campos-santos da capital, segundo estimativa da Prefeitura.
A programação inclui missas, momentos de oração, distribuição de água e lanches, além da presença de equipes de acolhimento e evangelização. O comércio também se intensificou nas imediações dos cemitérios, com grande procura por flores e velas, itens tradicionais nesta data.
Para receber o público, a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) realizou uma força-tarefa de limpeza e manutenção nos 36 cemitérios públicos da capital, garantindo espaços mais organizados e seguros.
Entre os locais mais visitados está o Cemitério da Piedade, que reúne túmulos de figuras históricas de Mato Grosso, como os ex-governadores Garcia Neto e Dante de Oliveira, além de antigos prefeitos e personalidades que marcaram a trajetória política e social do estado.
Mas o ponto de maior devoção segue sendo o túmulo do menino Facãozinho, falecido em 1971, aos sete anos. O historiador Francisco das Chagas Rocha explica que o local se tornou símbolo de fé popular.
“Muitos acreditam nos milagres atribuídos a Facãozinho. Há registros de visitantes que vêm todos os anos para rezar, pedir graças e deixar flores”, destacou o pesquisador, lembrando ainda que os cemitérios “são espaços de memória e identidade, verdadeiros arquivos da história cuiabana”.
O Cemitério do Porto, na Avenida Ipiranga, e o Cemitério do Parque Cuiabá também receberam grande público. Para facilitar o acesso, a Prefeitura disponibilizou linhas exclusivas de ônibus com passagem gratuita, mediante apresentação do cartão transporte.
Entre os visitantes, a rotina de homenagens é carregada de emoção. O cuiabano Márcio Leôncio, de uma família de 16 irmãos, mantém o hábito de visitar o túmulo dos pais todos os anos.
“Venho sempre, é uma forma de cuidar e lembrar. A visita é um gesto de respeito e amor, mesmo depois da morte”, contou.
A aposentada Zelita Meira Bastos também destacou o significado da data.
“Perdi minha mãe este ano, e vir aqui é uma forma de estar perto. É um dia de oração, de saudade e de gratidão pela vida”, disse emocionada.
Desde cedo, a movimentação foi intensa, mas alguns visitantes preferiram chegar antes do sol forte.
“Gosto de vir cedo, o clima é mais ameno e consigo rezar com mais tranquilidade”, comentou Maria Auxiliadora, moradora da região central.









