20 de Abril de 2026
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Cidades Domingo, 23 de Novembro de 2025, 21:17 - A | A

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Alerta

Chamados por enxames de abelhas e marimbondos sobem 55% em Mato Grosso

Bombeiros já atenderam mais ocorrências em 2025 do que em todo o ano passado, com Cuiabá concentrando a maior parte dos registros

Rojane Marta/Fatos de MT

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso vem sendo chamado com frequência cada vez maior para lidar com enxames de abelhas, vespas e marimbondos nas cidades do Estado. Entre janeiro e outubro deste ano, a corporação atendeu 1.256 ocorrências envolvendo insetos agressivos, alta de 55,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 808 chamadas. O número de 2025 já supera todo o ano passado, que fechou com 983 atendimentos.

Os dados mostram que o problema se concentra nos grandes centros urbanos. Só em Cuiabá foram 404 ocorrências nos dez primeiros meses de 2025. Em seguida aparecem Várzea Grande, com 143 registros, Rondonópolis (106), Tangará da Serra (87), Sinop (76) e Primavera do Leste (56). No ano anterior, esses mesmos municípios já lideravam o ranking, mas com volume bem menor de chamadas.

O pico deste ano ocorreu em janeiro, com 178 atendimentos, seguido de setembro, com 173 registros, e abril, com 143. Em 2024, os meses de fevereiro e abril haviam concentrado o maior número de ocorrências.

De acordo com o diretor operacional adjunto do Corpo de Bombeiros, major Felipe Mançano Saboia, a maior parte das solicitações é provocada por enxames de abelhas instalados em telhados, muros, árvores e estruturas de casas, prédios e áreas públicas. “Na maioria das situações, não há ataque imediato, mas enxames maiores podem se sentir ameaçados e reagir, causando ferimentos em pessoas e animais. O risco é ainda maior para quem tem alergia, idosos e crianças”, afirma.

Ele reforça que a orientação é não tentar afastar ou matar os insetos por conta própria. A recomendação é manter distância, evitar qualquer tipo de provocação e acionar o telefone 193 para que equipes treinadas façam a retirada com segurança.

O aumento dos chamados também tem explicação no comportamento das abelhas africanizadas, segundo o professor de Apicultura da Faculdade de Veterinária da UFMT, Afonso Lodovico Sinkoc. Ele explica que, no início das floradas, quando há mais alimento disponível, essas abelhas tendem a enxamear com mais intensidade, ou seja, dividem a colmeia e formam novos enxames em outros pontos.

“A enxameação é um processo natural de multiplicação das colônias. As abelhas africanizadas são altamente enxameadoras e se aproveitam da melhora na oferta de alimento. Com mais enxames circulando, cresce também a chance de instalação em áreas urbanas e, consequentemente, o número de chamadas aos bombeiros”, afirma. Ele observa que os maiores aumentos percentuais ocorreram justamente em cidades grandes como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop.

Além de acionar os bombeiros em caso de enxames, algumas medidas simples ajudam a reduzir riscos. Especialistas recomendam evitar movimentos bruscos ao se deparar com abelhas ou marimbondos, usar roupas que protejam braços e pernas ao trabalhar em jardins ou áreas rurais, manter alimentos e bebidas cobertos em ambientes abertos e explicar às crianças que não se deve mexer com colmeias ou ninhos.

Dentro de casa, portas e janelas bem vedadas, uso de telas, reparo de frestas e rachaduras e limpeza constante de áreas com restos de comida ajudam a afastar insetos. Na parte externa, manter o quintal organizado, sem lixo e sem água parada, reduz a atração de diferentes espécies.

Em caso de picadas, a Secretaria de Estado de Saúde orienta que o quadro pode variar desde irritação local até reações alérgicas graves, dependendo da sensibilidade da pessoa e da quantidade de veneno inoculado. Uma ou poucas picadas costumam provocar dor, vermelhidão e inchaço, mas também podem desencadear choque anafilático em pessoas alérgicas. Já múltiplas picadas podem causar intoxicação mais severa e, em situações extremas, risco de morte.

Para casos leves, a orientação é lavar o local com água e sabão, retirar ferrões visíveis com cuidado, aplicar compressas frias e, se necessário, utilizar analgésicos indicados por profissional de saúde. Dificuldade para respirar, inchaço em face ou garganta, tontura e mal-estar intenso são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.

Quando houver enxame em casa, na rua ou em área pública, a recomendação é sempre acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193. Em algumas situações, principalmente envolvendo abelhas, apicultores especializados também podem ser acionados para remoção e aproveitamento das colônias. Tentar resolver o problema por conta própria, alertam os profissionais, pode transformar um incômodo em um acidente grave.

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