A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu o contador Eduardo Martins durante o cumprimento da Operação Domínio Fantasma, deflagrada nesta terça-feira (11) em Cuiabá e Sorriso (420 km da capital). A investigação revelou um esquema de fraudes eletrônicas, criação de empresas fantasmas e lavagem de dinheiro por meio de sites falsos de vendas online que não entregavam os produtos aos consumidores.
Ao todo, foram 33 ordens judiciais cumpridas, incluindo mandados de prisão, busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio de veículos de luxo, um deles avaliado em quase R$ 1,5 milhão. A operação é resultado de uma ação conjunta da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), da Delegacia do Consumidor (Decon) e da Secretaria de Fazenda (Sefaz-MT).
O delegado Guilherme Fachinelli, titular da DRCI, explicou que o grupo criava empresas com endereços fiscais de fachada em Mato Grosso para registrar domínios de sites fraudulentos. “Eles copiavam o modelo de páginas conhecidas, simulavam a venda de produtos e não faziam a entrega. Recebíamos diariamente denúncias de consumidores de todo o país que caíram nesses golpes”, afirmou.
Segundo Fachinelli, o contador preso era o responsável técnico pela estrutura das fraudes. “Ele era a parte pensante, cuidava de toda a parte de criação das empresas e dos sites, e usava as redes sociais para divulgar o serviço e atrair mais vítimas”, detalhou.
Durante a investigação, foram identificadas empresas abertas em nome de laranjas, com dados de terceiros usados para movimentar recursos e mascarar a origem do dinheiro. As vítimas relataram prejuízos após comprar produtos como roupas, calçados, brinquedos e cosméticos.
O delegado Rogério Ferreira, da Decon, destacou que a integração entre as unidades da Polícia Civil foi decisiva para o desmantelamento da quadrilha. “Percebemos que empresas estavam sendo criadas com endereços falsos em Cuiabá e Sorriso. A parceria entre a Decon, DRCI e Sefaz foi essencial para chegar ao resultado de hoje”, afirmou.
Os investigadores ainda não conseguiram estimar o total movimentado pelo grupo, mas confirmaram que houve “evolução patrimonial exorbitante” dos envolvidos. Além de Eduardo Martins, duas pessoas foram alvo de medidas cautelares e estão proibidas de deixar a cidade.
As autoridades reforçaram o pedido para que vítimas registrem boletins de ocorrência nos canais da Decon e DRCI, inclusive por e-mail e pelo número 197. “Cada nova denúncia representa mais uma prova contra o grupo criminoso”, concluiu o delegado Guilherme Fachinelli.









