O presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAEVG), coronel Zilmar, fez duras declarações sobre a precariedade do sistema de abastecimento do município. Em entrevista, ele afirmou que a rede de água da cidade “é um queijo suíço”, com vazamentos por toda parte e perda diária de aproximadamente 6 milhões de litros de água apenas na Estação de Tratamento (ETA) do Cristo Rei.
Segundo o coronel, o problema é resultado de décadas sem investimento na infraestrutura de saneamento. “A rede de Várzea Grande é deteriorada há décadas. Quando chegamos ao DAE, não havia sequer um canal para registrar vazamentos. Criamos um chatbot no WhatsApp e, em apenas 12 dias, recebemos 1.300 denúncias”, revelou.
Ele afirmou ainda que o decreto nº 88, de 16 de outubro, editado pela Prefeitura, vai permitir agilidade nas licitações e contratações emergenciais, especialmente para substituição de bombas e ampliação do quadro de servidores. “Precisamos de mais encanadores e auxiliares. O decreto vai nos ajudar a contratar rapidamente e enfrentar os vazamentos e a falta de padronização que aumentam o consumo de água”, destacou.
Sobre a falta de água em bairros abastecidos pela ETA dos Imigrantes, que motivou protestos recentes, Zilmar explicou que o problema não foi resolvido apenas após a mobilização popular. “Houve três falhas em menos de 15 dias, envolvendo estrutura da balsa e motores. O conserto já estava em andamento e foi concluído no mesmo dia do protesto”, afirmou.
O presidente também rebateu críticas sobre o uso de caminhões-pipa da prefeitura em períodos de chuva. “Esses veículos não são do DAE. Eles usam água bruta, captada antes do tratamento, para irrigar canteiros. É uma atividade da Secretaria de Serviços Públicos”, explicou.
Zilmar ainda confirmou que o DAE está endividado e depende de apoio de outras esferas de governo para executar obras. “Encontramos o caixa vazio, dívidas com fornecedores e com a Energisa. Precisamos buscar recursos com o Estado, deputados e a União”, disse.
Além das perdas de água tratada, o presidente revelou que há bairros com mais de 20 anos sem rede de abastecimento e que o levantamento inicial indica a necessidade de 16 quilômetros de novas tubulações. “Estamos orçando essas obras com base na tabela SINAP para buscar captação de recursos. A cidade é muito precária”, avaliou.
A entrevista também abordou o problema dos filtros entupidos na ETA do Cristo Rei, que comprometem o volume de água tratada. “Os módulos de ultrafiltragem exigem manutenção constante e estão entupidos por óleo que vem dos motores da captação. Isso impede o tratamento de milhões de litros de água todos os dias”, alertou.









