21 de Abril de 2026
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Cidades Terça-feira, 21 de Outubro de 2025, 08:46 - A | A

Terça-feira, 21 de Outubro de 2025, 08h:46 - A | A

colapso no sistema

Várzea Grande seca: Flávia decreta calamidade após promessa fracassada

Decreto autoriza contratações emergenciais e restringe uso de água para atividades não essenciais

Rojane Marta/Fatos de Mato Grosso

A prefeita Flávia Moretti (PL) declarou estado de calamidade pública em Várzea Grande, por meio do Decreto nº 88, de 16 de outubro de 2025, em razão da crise e escassez no abastecimento de água potável que atinge todo o município. O decreto, com validade inicial de 180 dias, autoriza a Prefeitura a contratar serviços e obras emergenciais sem licitação e impõe restrições ao uso de água em atividades não essenciais.

A medida foi publicada dez meses após a prefeita assumir o cargo, em meio a críticas da população e de vereadores pela ausência de soluções concretas para o problema histórico de falta de água na cidade. Durante a campanha eleitoral de 2024, Flávia prometeu que a regularização do abastecimento seria prioridade nos 100 primeiros dias de gestão, o que não se concretizou.

“A situação de estiagem prolongada agravou severamente o desabastecimento. As redes antigas e sobrecarregadas, além da ineficiência do sistema, colocam em risco a saúde pública e a dignidade da população”, reconhece o texto do decreto.

Rede sobrecarregada e ETA Cristo Rei em colapso

O decreto aponta que as estações de tratamento de água (ETAs) do município não possuem interligação entre si, o que impede a redistribuição de água em momentos de emergência. A ETA Cristo Rei, localizada na avenida 31 de Março, é citada como um dos principais gargalos do sistema, operando sob constante manutenção e com filtros inadequados ao tipo de captação local.

O documento também menciona que os filtros da ETA são sensíveis à turbidez da água, o que causa interrupções frequentes no abastecimento e amplia a vulnerabilidade do sistema.

Medidas emergenciais e proibições

Com a decretação de calamidade, o município poderá realizar contratações diretas de obras, serviços e bens “necessários à mitigação da crise hídrica”. Além disso, o decreto proíbe o uso de água fornecida pelo DAE-VG para enchimento de piscinas; lavagem de fachadas, calçadas, muros e veículos com mangueiras.

A exceção vale apenas para ações de saúde pública e manutenção de áreas públicas. A prefeitura também determinou que o Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG) promova campanhas educativas de consumo consciente e coordene todas as medidas de enfrentamento à crise.

Promessa não cumprida e desgaste político

A crise no abastecimento de água é um dos maiores desafios enfrentados por Flávia Moretti desde o início do mandato. A prefeita havia anunciado, em janeiro, que o problema seria resolvido “de forma definitiva” até abril de 2025. No entanto, a escassez se agravou nos últimos meses, com bairros inteiros enfrentando dias sem fornecimento, especialmente nas regiões do Cristo Rei, Alameda, São Matheus e Jardim Imperial.

A decretação de calamidade ocorre em meio a reclamações crescentes nas redes sociais, protestos de moradores e cobranças na Câmara Municipal. O DAE-VG, em ofício citado no decreto, reconheceu a “ineficiência estrutural e operacional” do sistema e pediu medidas urgentes.

O decreto delega ao diretor-presidente do DAE-VG, Zilmar Dias da Silva, a coordenação das ações operacionais. O município também deverá apresentar relatórios técnicos periódicos e poderá prorrogar o estado de calamidade mediante parecer do Comitê de Gestão de Calamidade Pública.

Enquanto a Prefeitura promete “soluções emergenciais”, moradores seguem convivendo com torneiras secas e desconfiança. “A promessa era de água em todos os bairros, mas até agora só temos caminhão-pipa e justificativas”, disse uma moradora do bairro Mapim à reportagem do Fatos.

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