16 de Abril de 2026
00:00:00

Geral Quarta-feira, 26 de Novembro de 2025, 14:30 - A | A

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2025, 14h:30 - A | A

"Bolsonarismo"

Barranco quer punir políticos que estimulam demissões por posicionamento político

Deputado diz que prefeito incita ódio e defende levar manifestações à Justiça

Rojane Marta/Fatos de MT

O deputado estadual Valdir Barranco (PT) criticou, nesta quarta-feira (26), as reações de políticos de direita à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e anunciou que prepara uma representação judicial contra o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL). Em entrevista, o parlamentar disse que publicações em redes sociais que atacam quem comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal ultrapassam os limites do debate democrático e configuram, na visão dele, incentivo ao ódio e à violência.

Barranco afirmou não acompanhar diretamente o conteúdo do vereador de Cuiabá Rafael Ranalli, citado na pergunta por ter classificado, em postagem, quem celebra a prisão de Bolsonaro como “maconheiro” ou “traficante” e usado adjetivos ofensivos para se referir a mulheres. Mesmo sem mencionar as frases textualmente, o deputado disse considerar o parlamentar um “desserviço” para Mato Grosso e o acusou de usar o mandato apenas para se promover nas redes, em vez de tratar de demandas da população.

Ao comentar o julgamento que levou à prisão do ex-presidente e de aliados, o petista afirmou que o processo seguiu o devido rito e se estendeu por cerca de dois anos, com amplo direito de defesa. Segundo ele, as provas apresentadas tornavam a condenação “algo muito evidente”. Barranco enquadrou a decisão do Supremo como um marco da história republicana iniciada em 1889 e, em especial, do período pós-Constituição de 1988.

O deputado comparou o momento atual a outros episódios históricos. Lembrou que, ao fim da ditadura militar, o Brasil não julgou os responsáveis por violações de direitos humanos, ao contrário de países como Argentina e Alemanha, que levaram à Justiça agentes das ditaduras e do regime nazista. Na avaliação de Barranco, o STF sinaliza agora que “não há espaço para ditadura militar nem para golpe de Estado” e que quem tentar atentará contra a ordem democrática “pagará um preço caro, independentemente da patente que ocupar”.

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

Questionado sobre políticos que teriam incentivado demissões de trabalhadores por se posicionarem sobre a prisão de Bolsonaro, o parlamentar defendeu que esses agentes sejam “levados às barras da Justiça”. Sem dar detalhes do conteúdo, disse que um vídeo publicado por Abílio Brunini nas redes sociais passa dos limites e deve ser alvo de medidas judiciais. “Na democracia, temos que ter capacidade de conviver com as diferenças”, afirmou, ressaltando que gestores públicos não podem estimular perseguição a empregados por suas posições políticas.

Barranco disse ter orientado sua equipe jurídica, desde a véspera, a elaborar as peças cabíveis contra o prefeito. Segundo ele, a postagem de Abílio afronta princípios democráticos e incentiva a violência e o conflito entre empregadores e trabalhadores. O deputado afirmou que o ambiente nas instituições deve ser de respeito às divergências, tanto nos parlamentos quanto nas empresas e órgãos públicos.

Durante a entrevista, o petista também chamou atenção pela gravata que usava, nas cores da bandeira do Brasil. Ele contou que o acessório foi um presente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebido há cerca de três anos, e que decidiu usar a peça pela primeira vez em razão do significado simbólico da data. Para Barranco, o encerramento do julgamento do núcleo que inclui Bolsonaro e a “cúpula pensante do golpe”, com prisões decretadas, representaria a “retomada verdadeira dos pilares democráticos”.

O deputado disse ver o momento como o fim de um ciclo e defendeu que o país passe a olhar para frente, buscando harmonia e respeito no embate de ideias. Segundo ele, a partir da decisão do Supremo, não cabe mais discussão sobre o episódio que levou à condenação do ex-presidente e de seus aliados, e a sociedade deve se concentrar na construção de um Brasil em que posições divergentes possam conviver “de forma respeitosa entre si”.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

contato@fatosdematogrosso.com.br