21 de Abril de 2026
00:00:00

Geral Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025, 15:33 - A | A

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025, 15h:33 - A | A

feminicídio em alta

“Duas das sete mulheres que morreram voltaram a morar com o agressor”, diz secretário Roveri

Secretário afirma que Estado investiu R$ 88 milhões em ações para mulheres e defende atuação conjunta além da polícia

Rojane Marta/Fatos de MT

O secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, coronel César Augusto Roveri, defendeu que a redução da violência contra a mulher depende menos de ações repressivas e mais de um trabalho contínuo de educação e acolhimento. Em entrevista nesta quarta (10), ele afirmou que o Estado registrou neste ano mais de 17.100 medidas protetivas concedidas, das quais apenas sete mulheres foram assassinadas, sendo que duas haviam retomado a convivência com os agressores. Segundo Roveri, o número mostra que, quando buscam ajuda, as mulheres encontram resposta rápida do poder público.

"Nós já atingimos, esse ano de 2025, mais de 17.100 medidas protetivas emitidas pelo Estado, obviamente em parceria com a Justiça e com o Ministério Público. Dessas mais de 17.100 protetivas, apenas sete mulheres foram vítimas de feminicídio. Infelizmente, dessas sete, duas voltaram a morar com o agressor. Então nós estamos falando mais de 17.100 protegidas dentro desse universo. Claro que a gente não quer fazer parte de ranking nenhum", declarou.

O secretário disse considerar “triste” que ainda seja necessário realizar campanhas para ensinar homens a respeitar mulheres. Para ele, a prevenção começa “no seio familiar, na escola e na formação das crianças”. Roveri reconheceu que o Estado ainda enfrenta resistência cultural e que parte das vítimas não procura apoio a tempo. Mesmo assim, avaliou que a estrutura de proteção avançou nos últimos anos com coordenações específicas na Polícia Civil, criação de secretaria adjunta e câmaras temáticas dentro da própria pasta.

Roveri citou que Mato Grosso investiu, somente em 2025, mais de R$ 88 milhões em ações voltadas à defesa da mulher. O montante, segundo ele, foi distribuído entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Politec e unidades municipais de atendimento. Ele também destacou a expansão da Patrulha Maria da Penha, que dobrou de tamanho, e a ampliação de salas de atendimento especializadas em delegacias, inclusive em unidades que passaram a funcionar 24 horas.

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

Perguntado sobre a persistência dos casos mesmo com programas como Botão do Pânico, delegacias especializadas e a política de Tolerância Zero anunciada pelo governo, Roveri afirmou que os números mostram queda desde 2021. Naquele ano, o Estado registrou 62 feminicídios. Desde então, o total não ultrapassou essa marca. Ele afirmou que a estratégia é reduzir gradualmente, com ações integradas entre secretarias e poderes. A Casa Civil deve lançar, segundo ele, um comitê para consolidar políticas articuladas de enfrentamento.

O secretário reconheceu que muitas mulheres assassinadas em 2025 não tinham registrado ocorrências ou buscado abrigos e programas de proteção. Para ele, a falta de acesso aos serviços ainda é um dos maiores desafios. Roveri afirmou que as forças de segurança intensificaram campanhas para incentivar denúncias e que todas as instituições passaram por treinamento em 2024, trabalho coordenado pela primeira-dama e pela então secretária de Segurança, coronel Grazi.

Ele reforçou o pedido para que vítimas procurem imediatamente a rede de atendimento. Roveri disse que tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar têm condições de chegar rapidamente aos chamados, especialmente quando o Botão do Pânico é acionado. O Corpo de Bombeiros, segundo ele, também foi treinado para acolher vítimas.

Na entrevista, o secretário citou ainda a aquisição de viaturas adaptadas para auxiliar na retirada de pertences e no deslocamento seguro das mulheres. Ele argumentou que o aumento das medidas protetivas indica maior confiança no sistema: “Se essas mais de 17 mil mulheres não procurassem o Estado, a cifra seria muito pior”.

Roveri concluiu que o enfrentamento à violência contra a mulher não é tarefa exclusiva da segurança pública, mas de uma rede que envolve educação, saúde, assistência social e o Ministério Público. “É um trabalho de anos”, disse ele, ressaltando que a meta é ampliar continuamente o alcance dos serviços e reduzir a violência “de forma sustentada e permanente”.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

contato@fatosdematogrosso.com.br