19 de Abril de 2026
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Geral Terça-feira, 25 de Novembro de 2025, 10:54 - A | A

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Sisamnes

Esquema de venda de decisões pressiona STJ e atinge gabinetes

Corte é abalada por suspeitas e exonera assessores ligados à Sisamnes

Rojane Marta/Fatos de MT

A Operação Sisamnes, que investiga um esquema de venda de decisões judiciais, colocou sob forte pressão o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e acirrou o clima interno na corte. Segundo reportagem da revista Piauí, pessoas suspeitas de participação no esquema já foram identificadas em cerca de um terço dos gabinetes dos ministros.

A dimensão do caso levou a uma onda de exonerações discretas. Integrantes do STJ passaram a afastar assessores apontados nas investigações, numa tentativa de conter danos e preservar minimamente a imagem da corte, responsável por uniformizar a interpretação das leis no país.

Cinco ministros ouvidos pela revista relataram preocupação com o “alastramento” da corrupção na estrutura interna. Um deles, Ricardo Cueva, disse esperar que a apuração avance “com máxima eficiência e brevidade” para responsabilizar os envolvidos e impedir a repetição do esquema. Já o ministro Og Fernandes, que demitiu o chefe de gabinete Rodrigo Falcão após o nome dele aparecer nas investigações, afirmou que já passou da hora de se apontar claramente “quem tem responsabilidade e o que precisa ser feito”, classificando a situação como “extremamente desconfortável” para o tribunal.

O presidente do STJ, Herman Benjamin, reconheceu que novas exonerações não estão descartadas. Nos bastidores, o relato é de perplexidade e irritação com a extensão do problema e com o impacto direto na credibilidade da corte.

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Deflagrada pela Polícia Federal há cerca de um ano, a Operação Sisamnes não se limita ao STJ: o inquérito também atinge magistrados e estruturas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Cristiano Zanin é o relator da investigação. Em despacho recente, ele confirmou que uma autoridade com foro por prerrogativa de função é formalmente alvo do inquérito – sem citar nomes –, ressaltando que a gravidade do caso exige supervisão direta do STF.

Relatório parcial encaminhado pela PF ao Supremo aponta indícios de ligação entre ministros do STJ e investigados. De acordo com o documento, o esquema seria articulado pelo lobista Andreson Gonçalves e pelo advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023. A suspeita é de que ambos atuavam na antecipação e direcionamento de decisões por meio de assessores ligados aos gabinetes dos ministros Og Fernandes, Isabel Gallotti e Nancy Andrighi.

Andreson Gonçalves voltou ao regime fechado no último dia 12, após determinação do STF. Ele havia conseguido prisão domiciliar em julho de 2025, alegando grave perda de peso e problemas de saúde desde a primeira detenção, em novembro de 2024. Um laudo médico recente, no entanto, apontou que ele já estaria recuperado, o que motivou o fim do benefício.

Enquanto a Polícia Federal aprofunda diligências e novos relatórios são aguardados, ministros do STJ admitem, em reservado, que ainda há risco de mais cortes em gabinetes e novas revelações sobre a extensão da corrupção dentro da corte.

 

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