21 de Abril de 2026
00:00:00

Geral Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2025, 10:54 - A | A

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2025, 10h:54 - A | A

Sem mapeamento

MT vira potência mineral, mas opera no escuro, alerta geólogo

Arrecadação recorde expõe atraso técnico da mineração em Mato Grosso

Rojane Marta/Fatos de MT

O crescimento acelerado da mineração colocou Mato Grosso na quinta posição do ranking nacional do setor em 2025, com a melhor arrecadação mineral da sua história, mas o avanço esbarra na falta de mapeamento geológico detalhado e de uma política estadual estruturada. A avaliação é do professor Caiubi Kuhn, presidente da Federação Brasileira dos Geólogos, em entrevista concedida à TV Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Segundo Kuhn, o Estado saltou de fora do top 10 para o quinto lugar em arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em poucas décadas e deve fechar 2025 com entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões recolhidos. O resultado, explicou, é puxado principalmente pela mineração de calcário, essencial ao agronegócio, pela alta histórica do preço do ouro e pela operação de projetos polimetálicos no noroeste do Estado, com destaque para Aripuanã.

Para o presidente da federação, três fatores explicam a escalada recente: a forte demanda do agronegócio por calcário — Mato Grosso lidera a produção nacional do insumo —, a valorização do ouro, cujo preço triplicou nos últimos anos, e a entrada em operação de grandes empreendimentos, como a mineração polimetálica da região de Aripuanã. Ainda assim, ele alerta que o potencial do Estado está longe de ser plenamente explorado.

O principal entrave, segundo Kuhn, é técnico. Enquanto Minas Gerais tem 100% do território mapeado em escala 1:100 mil, o que permite leitura detalhada da geologia, Mato Grosso ainda opera majoritariamente com mapas em escala 1:1 milhão, insuficientes para orientar investimentos, reduzir riscos e apoiar decisões de gestores públicos. “Isso afasta investidores, encarece obras públicas e dificulta até a identificação de recursos básicos, como areia, brita e água”, afirmou.

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

A entrevista também abordou o papel do Grupo de Trabalho da Mineração mantido pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Para Kuhn, o GT é um espaço relevante de diálogo ao reunir universidades, cooperativas de garimpeiros, sociedade civil e governo, mas precisa resultar em políticas públicas permanentes, sob pena de o crescimento ocorrer sem acompanhamento técnico adequado, elevando riscos ambientais e sociais.

Na avaliação do geólogo, Mato Grosso tem condições de alcançar o terceiro lugar nacional na mineração, mas dificilmente superará Pará e Minas Gerais, líderes impulsionados pelo minério de ferro. Para avançar, defende investimento em ciência e tecnologia, uso estratégico dos recursos da CFEM para ampliar o conhecimento geológico e planejamento territorial.

Kuhn também apontou a logística como fator decisivo para o próximo salto. Enquanto ouro e calcário dependem menos de infraestrutura pesada, outros minérios exigem rodovias e ferrovias eficientes. A expansão ferroviária, afirmou, pode viabilizar novos projetos e destravar áreas hoje limitadas pelo custo de transporte.

Ao final, o presidente da federação reforçou que crescimento sem política pública é risco. “A segurança da sociedade e o melhor aproveitamento dos recursos minerais dependem de planejamento, dados técnicos e acompanhamento contínuo”, concluiu.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

contato@fatosdematogrosso.com.br