19 de Abril de 2026
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Geral Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025, 15:19 - A | A

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Mato Grosso

Presidente do PP propõe pacto entre homens contra feminicídio: “agressão nunca é opção”

Ex-deputado defende que amigos, vizinhos e colegas deixem de proteger agressores e passem a denunciá-los.

Rojane Marta/Fatos de MT

O ex-deputado federal e novo presidente estadual do Progressistas em Mato Grosso, Nilson Leitão, defendeu a criação de um pacto entre homens para enfrentar o feminicídio e a violência doméstica no Estado e no país. Em entrevista ao programa do jornalista Geraldo Araújo, ele afirmou que agressão jamais pode ser admitida como resposta a conflitos de casal e que os homens precisam assumir protagonismo na proteção das mulheres.

“Num conflito entre marido e mulher, namorado e namorada, companheiros, seja por traição ou qualquer briga, existem só duas alternativas: perdão ou separação. Agressão, nunca. Agressão, jamais”, resumiu.

Leitão fez as declarações ao comentar o aumento dos casos de feminicídio em Mato Grosso, que tem aparecido com destaque em estatísticas nacionais recentes, e citou o Dia do Laço Branco, campanha internacional que convoca homens a se posicionarem publicamente contra a violência de gênero.

Para o ex-parlamentar, não basta condenar a violência em discurso; é preciso romper laços de conivência com agressores. Ele defendeu que homens revejam suas relações pessoais e sociais quando souberem de episódios de violência contra a mulher.

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“Eu não andaria com pedófilo, e também não andaria com um cara que espanca a mulher. Se ele sentar na mesa, eu levanto”, afirmou, ao complementar: “Pode ser gente boa para jogar bola, trabalhar, viajar, conversar. Mas, se é agressor, não pode ser tratado como alguém ‘normal’ dentro do grupo.”

Leitão criticou a cultura machista que busca justificar agressões com o comportamento da vítima. “Tem homem que pergunta: ‘ah, mas o que ela fez?’. Não há razão. Não há explicação. Não existe motivo para agredir”, disse.

Denúncia como dever de quem presencia

O ex-deputado defendeu que vizinho, amigo ou parente que tenha conhecimento de violência não se omita. Para ele, a responsabilidade não é só do Estado, mas também de quem está mais próximo das vítimas.

“Se você sabe que o vizinho, o amigo, o parente agride a mulher, não precisa perguntar a versão dele. Denuncie. Proteja essa mulher. Não é problema privado, é crime”, afirmou.

Ele destacou que, em muitos casos, o agressor é uma pessoa socialmente bem vista, o que aumenta a tendência à omissão. “São bons profissionais, bons colegas, ‘gente boa’ para beber e conversar, mas, em casa, são agressores. Esses têm que ser isolados da turma”, completou.

“Mulher não é propriedade”

Nilson Leitão relacionou a persistência da violência de gênero à formação histórica da sociedade brasileira, marcada por relações de poder desiguais entre homens e mulheres. Segundo ele, o machismo ainda leva muitos a enxergarem a mulher como “propriedade”.

“Vivemos em um país machista, num mundo machista. A mulher foi criada e vista como ser inferior, como se fosse propriedade. Isso é ridículo. Eu tenho filha e não aceito que o marido ou namorado dela a veja como superior ou inferior. Ela é igual e não pode ser agredida”, afirmou.

Para ele, a campanha contra o feminicídio precisa ser tratada como um compromisso coletivo, com os homens assumindo papel direto na prevenção. “É uma convocação: vamos nos tornar guardiões das nossas mulheres. Mãe, irmã, esposa, filha, amiga, vizinha, todas. Não dá para naturalizar essa pandemia de agressões que o Brasil está vivendo”, concluiu.

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