O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a defender publicamente que a direita e a centro-direita atuem em bloco nas eleições de 2026 em Mato Grosso. Em entrevista ao programa Resumo do Dia, na segunda-feira (17), ele disse que a divisão desse campo político pode abrir espaço para o retorno de grupos que já governaram o Estado e foram alvo de escândalos de corrupção.
Sem citar datas, o prefeito resgatou episódios envolvendo o ex-governador Silval Barbosa e o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD). Ele lembrou que ambos se tornaram símbolos de denúncias de pagamento de propina e recebimento de dinheiro em espécie, com grande repercussão nacional, e afirmou que esse grupo “não deve voltar a comandar nem o Estado nem a capital”.
Abilio defendeu que o campo conservador construa pontes com outros segmentos, especialmente nas disputas para Governo do Estado, Senado e Presidência da República. Segundo ele, uma postura mais isolada pode até servir para candidatos proporcionais, que buscam apenas um percentual reduzido de votos para se eleger, mas não funciona em projetos majoritários.
O discurso surge em meio ao desgaste entre o governador Mauro Mendes (União) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O chefe do Executivo mato-grossense chamou o parlamentar de “louco” e criticou suas falas no exterior. Eduardo respondeu com xingamentos, elevando o tom da crise dentro da direita.
A troca de ataques gerou reação em lideranças locais. O vereador Rafael Ranalli (PL), por exemplo, sugeriu que Jair Bolsonaro não apoie uma eventual candidatura de Mendes ao Senado, defendendo que o ex-presidente priorize nomes como o deputado federal José Medeiros (PL) e ele próprio, a quem classificou como “bolsonarista raiz” no Estado.
Sem mencionar diretamente o vereador, Abilio criticou a disputa por protagonismo dentro do bolsonarismo e afirmou que ninguém pode se colocar como “mais bolsonarista que o Bolsonaro”. Ele lembrou que o ex-presidente chegou ao Planalto com apoio de diferentes grupos políticos e sociais, e não por um projeto isolado.
Para Abilio, se a intenção é derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e recolocar alguém de direita ou centro-direita no comando do país, será necessário recompor pontes e ampliar o diálogo. Na avaliação dele, insistir em divisões internas enfraquece o campo conservador e aumenta a chance de que grupos ligados a velhas práticas voltem ao poder em Mato Grosso.









