O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, avaliou que 2025 foi um dos anos mais intensos do Legislativo nos últimos tempos, marcado por forte polarização política, embates com o Executivo e aprovação de pautas estruturantes. Em entrevista à TV Câmara, o parlamentar fez um balanço do período e afirmou que a Casa conseguiu manter produtividade elevada sem abrir mão do diálogo e da moderação.
Motta, que se tornou o mais jovem presidente da Câmara, afirmou que comandar o Legislativo em um cenário polarizado exigiu abertura permanente ao diálogo com líderes partidários e bancadas de diferentes espectros ideológicos. Segundo ele, a condução da pauta buscou conciliar interesses regionais e nacionais, preservando a autonomia do Parlamento. “Foi um ano de tensão, de embates e de altos e baixos na relação com o governo, mas também de entregas importantes”, afirmou.
De acordo com o presidente, a Câmara aprovou mais de 300 matérias no plenário, incluindo projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, além de centenas de proposições conclusivas nas comissões. Entre os destaques citados estão a regulamentação da reforma tributária, a aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e uma agenda ampla voltada à segurança pública, com cerca de 50 propostas votadas ao longo do ano.
Na área econômica, Hugo Motta disse que o Congresso colaborou com a agenda do governo, mas promoveu ajustes para ampliar o alcance social das medidas. Ele citou como exemplo a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ampliada parcialmente até R$ 7.350, e a revisão de benefícios fiscais. Segundo o parlamentar, o Legislativo buscou mais critérios na concessão de incentivos tributários e aprovou o reexame periódico dessas políticas.
O presidente também destacou o avanço de projetos voltados à proteção do consumidor e de grupos vulneráveis, como o endurecimento de penas para crimes envolvendo adulteração de bebidas, a criação do ECA Digital, voltado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, e regras para atuação de plataformas digitais e serviços de streaming.
Na segurança pública, Motta afirmou que a Câmara aprovou mudanças relevantes para o combate ao crime organizado, com aumento de penas, tipificação de novos delitos e medidas para reforçar a proteção a agentes de segurança. Para ele, a pauta respondeu a uma das principais preocupações da população brasileira.
Ao abordar a educação, o presidente ressaltou a aprovação do novo PNE e do Sistema Nacional de Educação, que passam a orientar as políticas do setor pelos próximos dez anos. Ele também citou medidas como a flexibilização do acúmulo de cargos para professores e iniciativas voltadas à alfabetização na idade certa, defendendo que os resultados da área são de médio e longo prazo.
Sobre o meio ambiente, Motta afirmou que o Congresso buscou equilibrar preservação e desenvolvimento econômico, aprovando projetos antes da realização da COP no Brasil e enfrentando debates sobre o novo marco do licenciamento ambiental. Segundo ele, o Parlamento procurou conciliar sustentabilidade com a necessidade de investimentos em infraestrutura e energia.
O presidente reconheceu que 2025 foi marcado por episódios de forte tensão política, como embates envolvendo temas sensíveis e pressões internas sobre sua liderança, mas avaliou que o período serviu como aprendizado. Para 2026, ano eleitoral, Hugo Motta projeta um primeiro semestre intenso, com prioridade para segurança pública, relações de trabalho, inteligência artificial e regulação de novas tecnologias.
“O desafio é manter equilíbrio e diálogo para entregar ao país um Parlamento próximo da sociedade”, afirmou, ao dizer que a expectativa é de um ano “ainda mais produtivo” no próximo ciclo legislativo.









