Os deputados estaduais reagiram a declaração do governador Mauro Mendes (União), que comparou os parlamentares a “gatinhos que comem e continuam miando”, em referência às cobranças por pagamento de emendas parlamentares.
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), classificou como “pequena e desrespeitosa” a fala. “Eu nunca cobrei emenda fora do prazo. Existe uma lei, e as emendas são um direito dos parlamentares e da população. O que o governador disse é desrespeitoso, porque essas emendas não são para nós, são para o povo de Mato Grosso”, afirmou Russi.
O parlamentar ressaltou que, em várias cidades, obras e ações sociais só existem por causa de emendas apresentadas pelos deputados. “Tem município que só tem um campo society porque houve uma emenda parlamentar. Outro dia, coloquei R$ 80 mil para construir uma piscina de fisioterapia na APAE. O governo não faria isso nunca. Para ele, R$ 100 mil é nada, mas para quem precisa, é tudo”, afirmou.
Russi destacou ainda que pelo menos 50% das emendas parlamentares são destinadas à saúde pública, e que alguns deputados destinam 100% de seus recursos para a área. “É muito injusto tentar desqualificar o trabalho dos deputados. O Legislativo representa 142 municípios. É natural que o cidadão tenha mais acesso a um deputado do que a um governador. Essa é a função da Assembleia: ser o canal de diálogo do povo com o Estado”, disse o presidente. Leia mais: Max Russi cobra pagamento de emendas para Cuiabá e VG e diz que “população perde com a omissão do governo”
O parlamentar reforçou que o Parlamento seguirá defendendo o cumprimento da lei e o respeito entre os poderes. “Podemos sempre melhorar a aplicação dos recursos, reduzir custos e otimizar o gasto público. Mas o governador não pode achar que o problema está nas emendas. O discurso dele é pequeno, e a Assembleia não vai aceitar ser desmoralizada por cumprir seu papel”, concluiu.
Já o deputado Júlio Campos (União), classificou como “infeliz” a fala do governador. “Foi muito infeliz. Não acredito que ele tenha falado de coração, talvez num momento de ansiedade. Mas deputado não é gato. Essas emendas não são para nós, são para o povo. Nós destinamos recursos a prefeituras, hospitais, entidades sociais e esportivas. É de lei e acontece no mundo inteiro”, rebateu.
O parlamentar destacou que, em um orçamento de cerca de R$ 50 bilhões, a participação dos deputados com 0,1% em emendas não causa impacto fiscal relevante e é um instrumento legítimo de representação popular.
“Miamos pelo povo”, responde Botelho
Já o deputado Eduardo Botelho (União) respondeu com ironia. “Em parte ele tem razão, porque nós estamos miando pelo povo, pelas reclamações que chegam até nós, pelas reformas que a população pede, por mais investimentos em creches. Miamos pelo que o povo cobra”, rebateu.
Sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a execução das emendas de bancada, Botelho foi direto: “Vamos recorrer para quem? Para o Papa? O Supremo é a última instância. Tchau, obrigado. Já foi.”









