20 de Abril de 2026
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Política Domingo, 21 de Dezembro de 2025, 16:03 - A | A

Domingo, 21 de Dezembro de 2025, 16h:03 - A | A

afeta comportamento

Especialistas alertam para riscos das telas nos primeiros anos de vida

Uso prolongado de telas afeta comportamento de crianças pequenas

Redação Fatos de MT

Crianças de até 3 anos expostas a duas horas ou mais por dia a celulares, tablets e televisão correm maior risco de atrasos na linguagem, dificuldades de atenção e problemas de comportamento. O alerta consta no estudo “Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais”, elaborado pelo Núcleo Ciência Pela Infância, que reúne evidências científicas nacionais e internacionais sobre os impactos do uso excessivo de tecnologias nos primeiros anos de vida.

De acordo com as pesquisas analisadas, crianças nessa faixa etária que passam longos períodos diante de telas tendem a apresentar vocabulário mais limitado, dificuldades de compreensão e menor capacidade de se expressar. Também são observadas alterações comportamentais, como maior impulsividade, irritabilidade e dificuldade de controlar emoções, além de problemas para manter a atenção e seguir instruções simples no dia a dia.

Os efeitos vão além da linguagem. O estudo aponta que o uso excessivo de telas na primeira infância pode comprometer o desenvolvimento cognitivo de forma mais ampla, afetando habilidades fundamentais que se formam nessa fase, como memória, controle de impulsos e interação social. Crianças expostas precocemente às telas costumam ter mais dificuldade em lidar com frustrações, esperar a vez e manter interações presenciais, consideradas essenciais para o aprendizado e a socialização.

Outro dado destacado é que, entre 18 meses e 3 anos, cada aumento no tempo diário de exposição às telas está associado a piores indicadores de desenvolvimento socioemocional. Em famílias de baixa renda, o cenário é ainda mais preocupante. Cerca de 69% das crianças estão expostas de forma excessiva a dispositivos eletrônicos, muitas vezes porque o celular acaba sendo utilizado como alternativa para ocupar a criança diante da falta de rede de apoio, espaços adequados de lazer e tempo disponível dos cuidadores.

O levantamento também chama atenção para o chamado “déficit de vídeo”. Pesquisas mostram que bebês e crianças pequenas aprendem menos com conteúdos apresentados em telas do que por meio de interações presenciais. Mesmo vídeos ou aplicativos classificados como educativos não substituem a troca direta com adultos e outras crianças, que envolve contato visual, diálogo, gestos, brincadeiras e estímulos do ambiente real.

Além dos impactos no desenvolvimento, o uso prolongado de telas está associado a outros prejuízos, como alterações no sono, alimentação desregulada e aumento do sedentarismo. Crianças que passam muito tempo diante de dispositivos eletrônicos tendem a dormir menos e com pior qualidade, o que agrava dificuldades de atenção e comportamento ao longo do dia.

Especialistas alertam que o problema não está apenas na quantidade de tempo de tela, mas também na ausência de mediação adulta. O acesso a conteúdos inadequados para a idade, o uso sem supervisão e a substituição do brincar e da convivência familiar por telas ampliam os riscos para o desenvolvimento infantil. As recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde indicam zero exposição a telas para crianças de até 2 anos e, dos 2 aos 5 anos, no máximo uma hora por dia, sempre com acompanhamento de um adulto.

Segundo os pesquisadores, reduzir o tempo de exposição a telas e incentivar atividades como leitura, brincadeiras ao ar livre e interação familiar são medidas fundamentais para proteger o desenvolvimento das crianças e promover uma infância mais saudável.

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