Por Max Russi*
Existe uma pergunta silenciosa que cada um de nós carrega, ainda que não a perceba: o que fazemos quando ninguém está olhando? Como agimos diante de quem não pode se defender, de quem não tem voz para pedir socorro e de quem depende inteiramente da nossa escolha entre a crueldade e o cuidado? A resposta revela, com uma clareza que nenhum discurso consegue imitar, o nosso real estágio de humanidade.
Os animais sentem. Sentem fome, dor, medo e afeto; sentem o frio da noite, o abandono e o acolhimento de um gesto de cuidado. Não compreendem as razões pelas quais sofrem, apenas sofrem. E é exatamente essa incapacidade que nos confere uma responsabilidade ainda maior: a de não lhes causar sofrimento.
A violência contra os animais não é uma questão menor. Ela expõe, de forma inequívoca, o nível de civilidade de uma sociedade. A crueldade raramente se limita a uma única esfera, ela transborda, contamina relações, famílias e comunidades. Quem aprende a negligenciar o sofrimento alheio desenvolve a indiferença, e esta é um dos males mais silenciosos e devastadores que existem.
Por outro lado, quem aprende a cuidar, a perceber que o animal que late, mia ou simplesmente nos observa está pedindo algo, desenvolve uma das habilidades mais valiosas da convivência humana: a empatia. É ela que nos permite construir uma sociedade mais justa, compassiva e digna para todos.
Antes de exercer os cargos de deputado e de presidente da Assembleia Legislativa, sou, acima de tudo, um ser humano. É a partir dessa condição que afirmo: proteger os animais vai muito além de uma obrigação legal, é uma escolha moral que define quem somos como sociedade. Ao aprovarmos o Abril Laranja nesta Casa, buscamos transmitir uma mensagem inequívoca: Mato Grosso não compactua com a crueldade. Cada denúncia atendida, cada animal resgatado e cada criança que aprende a respeitar a vida representam um avanço na construção do Estado justo e humano que nossa população merece. Esse é um compromisso que assumo com convicção e que não admite concessões.
É por essa razão que o Abril Laranja existe. A campanha, instituída pela Lei Estadual nº 12.646/2024 e realizada em parceria com a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Comunicação, vai além de um calendário. São ações concretas que alcançam onde o sofrimento animal é realidade, como a entrega de comedouros e bebedouros à ONG SOS Cães e Gatos, destinados a animais em situação de rua, adquiridos por meio de emenda desta Presidência. É a política pública saindo do papel e chegando à rua.
A iniciativa convida cada mato-grossense à reflexão: os animais da minha comunidade estão sendo tratados com respeito? Há crueldade que posso denunciar? Existe algum ser que posso proteger?
O Mato Grosso que pretendemos construir não se limita a um Estado economicamente forte, com agronegócio pujante e indicadores expressivos. Almejamos, sobretudo, um Estado mais justo, com políticas públicas efetivas, onde a lei seja cumprida e a educação forme cidadãos capazes de reconhecer que toda forma de vida merece dignidade. Que abril nos lembre desse compromisso, que a cor laranja nos convoque à ação e que cada um de nós possa dizer, ao final: fiz a minha parte.
*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso







