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Cidades Sábado, 28 de Fevereiro de 2026, 11:34 - A | A

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temporais em MT

Apenas 6% dos municípios de MT têm alta capacidade de resposta a desastres

Relatório aponta baixa capacidade de resposta da maioria das prefeituras diante de desastres naturais

Rojane Marta/Fatos de MT

As chuvas registradas em janeiro e fevereiro de 2026 já provocaram a decretação de situação de emergência em 17 municípios de Mato Grosso, ao mesmo tempo em que dados oficiais apontam que a maioria das cidades ainda não possui estrutura adequada para responder a desastres naturais. O cenário consta em relatório técnico encaminhado pela Defesa Civil Estadual à Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), após solicitação do colegiado.

O levantamento indica volume médio acumulado de 277,72 milímetros em janeiro e 204,83 milímetros em fevereiro. Em dois meses, foram quase 500 milímetros de chuva, índice que impactou diretamente áreas urbanas e rurais e levou municípios a adotarem medidas emergenciais.

Araputanga, Colíder, Cotriguaçu, Feliz Natal, General Carneiro, Guarantã do Norte, Juína, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Poxoréu, Primavera do Leste, Rondolândia, Rosário Oeste, Santa Carmem, Serra Nova Dourada e Vila Bela da Santíssima Trindade decretaram situação de emergência. Até o momento, apenas os decretos de Cotriguaçu e Rosário Oeste foram homologados pelo Governo do Estado.

No período, cinco municípios acionaram diretamente a Defesa Civil Estadual e seis receberam ajuda humanitária, totalizando 422 itens distribuídos.

O avanço dos decretos ocorre em um contexto de vulnerabilidade já identificado pelo TCE-MT. Nota Recomendatória emitida em 2025 apontou que somente 6% dos municípios mato-grossenses apresentam alta capacidade de resposta a emergências. Por outro lado, 81% ainda não adotam medidas consideradas eficazes para enfrentar situações de risco.

Presidente do TCE-MT e da Comissão de Meio Ambiente, o conselheiro Sérgio Ricardo afirmou que os episódios reforçam a necessidade de planejamento permanente. Segundo ele, o Tribunal atua na orientação e no acompanhamento das gestões municipais, com foco na prevenção e na redução de impactos à população.

Além da emissão de recomendações, o Tribunal tem promovido capacitações voltadas à elaboração e atualização de Planos de Contingência. Em 2025, mais de 400 representantes de órgãos municipais, estaduais e federais participaram do curso “Proteção e Defesa Civil – Plano de Contingência”, com orientações sobre estruturação de resposta a desastres, acesso a mecanismos de financiamento como o S2ID e fundos climáticos, além de estratégias de educação ambiental.

O assessor técnico da Defesa Civil Estadual, Lucas Chermont, destacou durante a capacitação que os planos são elaborados com base em riscos já mapeados no estado e funcionam como instrumento central para organização das ações locais. A avaliação técnica é de que a adoção efetiva desses instrumentos é decisiva para reduzir danos materiais e sociais em períodos de eventos extremos.

Com o aumento da frequência de episódios climáticos intensos, o relatório reacende o debate sobre a preparação das cidades para enfrentar emergências e a necessidade de fortalecer estruturas permanentes de prevenção.

 

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