Um técnico ligado a uma clínica de Alto Araguaia foi alvo de prisão preventiva após investigação da Polícia Civil de Mato Grosso apontar suspeita de desvio de medicamento para emagrecimento e subtração de equipamentos utilizados em exames cardíacos. O mandado foi cumprido na sexta-feira (27), em Brasília (DF), onde o investigado já estava detido por outra investigação.
A apuração começou a partir de registros de furtos atendidos pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Rondonópolis. Durante as diligências, a Polícia Civil identificou conexão entre os casos e o vínculo profissional do suspeito com uma clínica em Alto Araguaia, o que levou a unidade local a assumir parte da investigação.
Segundo a polícia, o investigado teria utilizado o acesso decorrente da função para retirar equipamentos de monitoramento cardíaco. Há indícios de que exames eram agendados e, após a instalação dos aparelhos, os dispositivos não eram devolvidos. Entre os equipamentos mencionados estão aparelhos de monitoramento como Holter e CardioMapa.
Até o momento, foram contabilizados três equipamentos furtados em Rondonópolis e três em Alto Araguaia, mas a investigação aponta que o número pode ser superior a 20 aparelhos, com registros também em Goiás e no Distrito Federal.
Além dos equipamentos médicos, a apuração indica possível desvio de tirzepatida, medicamento utilizado para emagrecimento. Conforme os indícios reunidos, o investigado teria aplicado a substância diretamente em pacientes e recebido valores fora dos canais formais da clínica, por meio de transferências e pagamentos realizados em seu nome.
Há ainda registros de alteração de locais de entrega de medicamentos adquiridos em nome da clínica, inclusive com envio para outros estados, o que ampliou o alcance da investigação.
A Polícia Civil destaca que a retirada irregular dos equipamentos pode gerar risco à saúde, já que aparelhos de monitoramento cardíaco exigem manutenção e calibragem periódica para garantir precisão nos resultados.
Com base nas provas reunidas, a Delegacia de Alto Araguaia representou pela prisão preventiva, medida deferida pelo Judiciário. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário do investigado para rastrear movimentações financeiras e identificar possíveis vítimas.
O homem poderá responder, em tese, por furto qualificado, estelionato, apropriação indébita e crime relacionado a risco à saúde. A investigação segue em andamento para localizar os aparelhos e dimensionar a extensão dos fatos.








