O Parque Novo Mato Grosso, complexo de lazer e eventos que o governo do Estado constrói às margens da MT-251, na saída de Cuiabá para Chapada dos Guimarães, teve mais duas obras com prazo esticado para 2027. Extratos publicados nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial do Estado mostram que a MT Participações e Projetos (MT Par), estatal responsável pelo empreendimento, prorrogou os contratos da rede de iluminação pública e do fornecimento e instalação de conjuntos de bombeadores elétricos. O parque, anunciado em 2021 com custo estimado em R$ 150 milhões e conclusão prevista para dois anos depois, já soma mais de R$ 1,1 bilhão em contratos, segundo o Portal da Transparência do Estado.
A iluminação pública está a cargo da PHB Construções. O terceiro aditivo ao contrato estende a execução em seis meses, até 13 de março de 2027, com novo prazo contado a partir de 14 de setembro. A vigência foi ampliada até 5 de abril de 2027. O termo foi assinado em 2 de outubro, 18 dias depois da data em que o novo período de execução começa a correr.
O contrato dos bombeadores elétricos, executado pela Conenge Construção Civil, chegou ao quinto aditivo. A execução foi prorrogada por cinco meses, até 4 de fevereiro de 2027, e a vigência foi estendida até 27 de maio de 2027. O termo foi assinado em 6 de outubro, um mês depois do início do novo prazo. Os dois extratos, assinados pelo diretor-presidente da MT Par, Wener Santos, não informam o valor dos contratos nem o motivo das prorrogações.
Os contratos do parque cresceram ano a ano. Pelos registros do Portal da Transparência levantados até junho, foram cerca de R$ 48,6 milhões em 2023, incluindo uma roda-gigante de quase R$ 10 milhões, e R$ 426 milhões em 2024, com a cobertura do Espaço Show, os complexos Orla e Xtreme, a Praça da Família e sistemas de energia solar. Em 2025, foram R$ 671,5 milhões. Entre eles estão o Centro de Eventos, de R$ 245 milhões, e o Complexo Autódromo, de R$ 142 milhões. Em 2026, até junho, os novos contratos somavam R$ 28 milhões. Uma segunda roda-gigante, de mais de R$ 33 milhões, também está prevista. O valor efetivamente pago não aparece nesses levantamentos.
Em audiência na Assembleia Legislativa, o presidente da MT Par, Wener Santos, estimou o custo final em R$ 900 milhões e prometeu entregar o parque até o fim de 2026. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) trabalha com um número maior. Ao analisar as contas de governo de 2024, em agosto de 2025, o conselheiro relator Antonio Joaquim registrou que o orçamento do projeto passava de R$ 1,5 bilhão. Ele também apontou que nenhuma das metas de 2024 foi cumprida: estavam previstos 15 projetos e R$ 255 milhões em investimentos, e a execução física ficou em 15% do planejado. O relator criticou ainda a falta de um plano concreto para administrar o parque depois da entrega e garantir sua sustentabilidade financeira. O TCE recomendou um planejamento detalhado para concluir a obra em 2026.
As prorrogações se somam a outras recentes. Em setembro, a MT Par assinou aditivo de R$ 1,63 milhão, equivalente a 17,57% do valor inicial, no contrato de R$ 9 milhões do Complexo Beach, com a Jota Ele Construções Civis, e adiou o fim da execução para 10 de dezembro. No fim do mesmo mês, a cinco dias da eleição, um decreto do governo remanejou R$ 60 milhões da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) para o parque. O dinheiro saiu de ações de parcerias, projetos de transporte, construção de pontes e bueiros e estruturação de modais.
O autódromo, a obra mais visível do complexo, é alvo de apuração no TCE. Em julho, o conselheiro Guilherme Maluf decidiu aprofundar a análise de contratos que somam R$ 208,1 milhões, a partir de uma manifestação enviada à Ouvidoria do tribunal que aponta suspeitas de fraude em licitações e possível sobrepreço de cerca de R$ 3 milhões. O caso foi encaminhado à área técnica de obras do tribunal, mas o pedido de suspensão imediata dos pagamentos foi negado, por falta de comprovação de risco urgente. A MT Par nega irregularidades e atribui o aumento dos valores à ampliação do projeto, que passou a incluir centro de eventos, museus, parque aquático e áreas de lazer.
Em novembro de 2025, durante o treino da etapa da Stock Car, uma ventania arrancou parte da cobertura da arquibancada do autódromo, ainda em obras, e deixou três pessoas com ferimentos leves.
Sem uso público regular até agora, o parque recebe sobretudo eventos. A MT Par estuda conceder a área à iniciativa privada depois que as obras terminarem.
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