A delegada Jannira Laranjeira fez um desabafo contundente neste sábado (04.04) sobre a tentativa brutal de feminicídio ocorrida na última quarta-feira (01.04), no bairro Jardim Brasil. O agressor, que não aceitava o fim do relacionamento, invadiu a casa da ex-namorada e a atacou com uma faca. Ao tentar se defender, a vítima teve quatro dedos da mão amputados.
O caso tomou contornos ainda mais graves após a confirmação de que o agressor foi punido por uma facção criminosa antes de ser alcançado pelo sistema de justiça. Para a delegada, essa intervenção do crime organizado é um sintoma claro da omissão do Poder Público na prevenção da violência contra a mulher.
Em publicação nas redes sociais, Laranjeira enfatizou que o Estado chega tarde e apenas reage quando a tragédia já se consumou. "Quando o Estado falha, o crime organizado ocupa o espaço. Quem puniu o primeiro não foi o sistema de justiça, foi uma facção criminosa. Isso não é justiça. Isso é a prova de um Estado ausente, um Estado que chega depois", afirmou a autoridade policial.
A delegada destacou que o crime de feminicídio não é um fato isolado, mas o ápice de um padrão de controle e ameaças que costuma ser ignorado. "Esse crime não começa no dia da faca. Ele começa antes, no controle, na ameaça, no não aceitar o fim, nos sinais ignorados. Violência doméstica tem padrão e quando esse padrão não é interrompido, ele escala", alertou.
Para Jannira, a punição paralela é o atestado de falência das políticas de proteção. "Quando o crime organizado passa a punir agressor, é porque o Estado já deixou de proteger a vítima há muito tempo", concluiu a delegada, defendendo a necessidade urgente de monitoramento real e integração das forças de segurança para interromper o ciclo de violência.







