11 de Abril de 2026
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Cidades Sábado, 11 de Abril de 2026, 18:28 - A | A

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"esfarelando"

Obra de R$ 16,5 milhões em VG se deteriora e empreiteira “some”

Avenida de R$ 16 milhões "esfarela" e Prefeitura abre processo contra empresa que "sumiu" sem dar Explicações

Rojane Marta/Fatos de MT

O que deveria ser um símbolo de modernidade e fluidez no trânsito de Várzea Grande tornou-se um monumento ao descaso com o dinheiro público. A duplicação da avenida Leôncio Lopes de Miranda (MT-050), trecho que liga a avenida Alzira Santana à Rodovia dos Imigrantes, apresenta hoje um cenário de abandono. Com apenas alguns anos de uso, o asfalto "premium", que custou aos cofres públicos mais de R$ 16,5 milhões, está cedendo, acumulando crateras e colocando em risco a vida de motoristas e motociclistas.

A obra foi licitada originalmente em 2020, durante a gestão da ex-prefeita Lucimar Campos, pelo valor de R$ 13.287.066,90. No entanto, após uma série de termos aditivos assinados já na gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB), o custo final disparou para R$ 16.599.657,80. O aumento de quase R$ 3,3 milhões representa o limite máximo de 25% permitido pela Lei de Licitações para acréscimos em contratos de obras.

Mesmo com o investimento milionário e o reforço no orçamento, a qualidade do material entregue pela Terraplanagem Centro Oeste LTDA (TCO) é questionável. Imagens obtidas pela nossa reportagem neste sábado (11) mostram o surgimento de "borrachudos" (ondulações profundas na pista) e buracos que expõem a fragilidade da base asfáltica.

O "sumiço" da construtora - A situação jurídica da obra é ainda mais alarmante que a física. Documentos oficiais revelam que a Secretaria de Viação e Obras de Várzea Grande notificou a empresa TCO por três vezes consecutivas em 2025, na gestão Flávia Moretti (PL), para que os reparos fossem feitos dentro da garantia contratual de cinco anos.

Sem qualquer resposta da empresa, a Secretaria de Administração precisou recorrer a um Edital de Citação público em agosto de 2025, após tentativas frustradas de localizar os responsáveis pessoal ou postalmente. Diante do "sumiço" da empreiteira, a prefeitura instaurou um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) sob a égide da Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013).

A TCO tem como sócios-administradores Claudio Romero Naya e Valeria Regina Alvarenga Naya. Com a abertura do processo administrativo, a empresa e seus gestores podem enfrentar punições severas, que vão desde multas pesadas até a proibição de licitar com o poder público. Mais do que isso, a prefeitura pode buscar judicialmente a desconsideração da personalidade jurídica para que o patrimônio pessoal dos sócios responda pelo prejuízo causado à cidade.

Para quem trafega diariamente pela via, o sentimento é de revolta. "A gente viu essa obra sendo feita, achou que ia melhorar, mas agora temos que fazer zigue-zague para não cair no buraco. É dinheiro nosso jogado no ralo", afirma um comerciante da região que prefere não se identificar.

A svenida Leôncio Lopes de Miranda é um corredor estratégico para o escoamento de carga e transporte de passageiros entre Cuiabá e Várzea Grande. O descaso da empreiteira e a demora na solução definitiva transformam a via em uma armadilha, especialmente em dias de chuva, quando os buracos ficam cobertos pela água, aumentando o risco de acidentes fatais.

Outro lado - O portal Fatos de Mato Grosso tentou contato com a empresa Terraplanagem Centro Oeste LTDA através do endereço fornecido à Junta Comercial, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação da defesa.

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