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Cidades Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026, 14:43 - A | A

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Servidores públicos MT

Sintep cobra do governo pagamento de passivo salarial de 19,52%

Chamada: Presidente do Sintep classifica falta de pagamento como decisão política

Redação Fatos de MT

A cobrança por uma dívida salarial acumulada ao longo de quase dois mandatos marcou a reunião de entidades sindicais com representantes do funcionalismo estadual nesta terça-feira (13.01). Durante o encontro, o presidente do Sintep Estadual, Henrique Lopes, afirmou que o Governo do Estado precisa quitar um passivo de 19,52% referente às perdas salariais dos servidores do Poder Executivo e cobrou diretamente o governador Mauro Mendes (União).

A declaração foi feita durante reunião realizada na sede da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso, que teve como pauta central a defesa da Revisão Geral Anual (RGA). Segundo Henrique Lopes, o próprio governador já afirmou, em outras ocasiões, que um gestor não deve deixar dívidas para o sucessor, argumento que agora, segundo ele, se volta contra a atual gestão. “Considerando que foram praticamente oito anos de governo, com descumprimento da lei e sem aplicação integral das perdas salariais, formou-se um passivo que é, em grande parte, responsabilidade desta gestão”, disse.

Além do percentual acumulado de 19,52%, o dirigente sindical destacou que há ainda uma recomposição mais recente de 4,26% pendente. Para ele, a correção das perdas deveria ocorrer antes do fim do mandato, previsto para 2026. “A recomposição ao longo do governo, que já está acabando, precisa atender esse passivo, para que o governador honre a própria fala e não deixe débito para quem assume em 2027”, afirmou.

Sobre o impacto financeiro da dívida, estimado em mais de R$ 3 bilhões com base em estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Henrique Lopes argumentou que os números devem ser analisados dentro do contexto orçamentário do Estado. Segundo ele, o levantamento considera um orçamento subestimado de R$ 36,6 bilhões, que pode chegar a cerca de R$ 40,7 bilhões em 2027. “Quando se fala em bilhões, parece algo inalcançável, mas estamos tratando de um dos Estados que mais crescem no país. Não é falta de recurso, é opção política”, declarou.

O presidente do Sintep também destacou que a despesa com pessoal em Mato Grosso gira em torno de 36% da receita corrente líquida, abaixo do limite de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “Os dados mostram que há margem. O problema não é receita, é prioridade”, reforçou.

Ao abordar a situação dos profissionais da educação, Henrique criticou a forma como o governo apresenta comparações salariais. Segundo ele, os dados divulgados desconsideram o custo de vida no Estado. “O governo gosta de dizer que temos o quinto melhor salário, mas compara com todos os trabalhadores do Brasil. O correto é comparar com o custo de vida em Mato Grosso e com a realidade dos demais servidores. Nesse cenário, a educação fica sempre entre os últimos quando se fala em valorização”, afirmou.

Henrique Lopes também rechaçou medidas como pagamento de 14º, 15º ou 16º salários. “Fazer uma poupança forçada em cima do salário do servidor para depois usar isso politicamente é humilhante. O correto é garantir a recomposição no tempo certo, para que o servidor organize sua vida financeira”, disse.

Por fim, o sindicalista criticou a falta de diálogo do governo com as entidades representativas. “São sete anos sem diálogo com os sindicatos, inclusive em descumprimento à Constituição. O Estado tem sido colocado a serviço de outros setores, e não da valorização dos servidores e do fortalecimento dos serviços públicos”, concluiu.

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