A 1ª Vara Cível de Cuiabá, especializada em falência e recuperação judicial, deferiu o processamento conjunto da recuperação judicial do Grupo Pfitscher, formado pelos produtores rurais Algelice Mendes Pfitscher, Arthur Mendes Pfitscher, Jadir Agnaldo Pfitscher, Vithor Mendes Pfitscher e Marta Pfitscher. O grupo, que tem a administração em Tangará da Serra e lavouras em Diamantino e Nova Lacerda, declarou um passivo de R$ 119.657.357,71. O edital com a decisão e a lista de credores foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (14).
Do total da dívida, R$ 57.110.862,37 entram na recuperação judicial e serão renegociados no plano. O restante, cerca de R$ 62,5 milhões, é de créditos extraconcursais, que ficam fora do processo, como contratos garantidos por alienação fiduciária.
Os cinco produtores integram o mesmo núcleo familiar, segundo o pedido. Eles afirmam trabalhar na atividade rural há quase quatro décadas, por meio de arrendamentos e parcerias agrícolas, e explorar hoje cerca de 5.500 hectares em Mato Grosso. Na petição, sustentam que dividem credores, funcionários, contabilidade, setor financeiro e estrutura administrativa, além de serem avalistas uns dos outros. Por isso pediram para tramitar juntos, com um plano único de pagamento.
A família relata que a crise começou em 2021, com a morte de um antigo parceiro. A dissolução da parceria, segundo o grupo, concentrou obrigações financeiras relevantes. Depois vieram o aumento do custo dos arrendamentos, a queda das margens no agronegócio e o crédito rural mais caro. O golpe mais pesado, de acordo com o pedido, foi a quebra da safra 2023/2024 por causa do El Niño, com perda aproximada de 110 mil sacas de soja. Os produtores afirmam que a situação não decorre de má gestão nem de desvio de patrimônio.
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A lista publicada mostra a concentração da dívida em bancos e fornecedores de insumos. A Caixa Econômica Federal soma cerca de R$ 26,3 milhões em créditos com garantia real, e o Banco da Amazônia, outros R$ 11,5 milhões na mesma classe. Fora da recuperação, a Cooperativa de Crédito Sicredi Sudoeste MT/PA aparece com aproximadamente R$ 25,6 milhões, o Banco CNH Industrial Capital com R$ 8,6 milhões e a Cargill Agrícola com R$ 6,1 milhões. Empresas do grupo Syngenta reúnem cerca de R$ 11,3 milhões entre créditos sujeitos e não sujeitos ao processo. Bayer, Basf, Sumitomo Chemical, CTVA Proteção de Cultivos, Banco John Deere e Banco De Lage Landen também estão entre os credores. Na classe trabalhista, há 32 trabalhadores, com créditos que somam R$ 158,5 mil.
O grupo informou que vai continuar pagando em dia as dívidas com a Sicredi garantidas pela Fazenda Santa Marta, por considerar o imóvel essencial para a atividade e as condições do contrato favoráveis.
Com a decisão, os produtores têm 60 dias corridos, contados da publicação, para apresentar o plano de recuperação, sob pena de a recuperação ser convertida em falência. A Justiça também suspendeu as execuções contra o grupo relativas a dívidas sujeitas ao processo e proibiu penhoras, arrestos, bloqueios e buscas e apreensões sobre os bens dos devedores ligadas a esses créditos. Os produtores pediram ainda que máquinas, implementos e veículos sejam reconhecidos como essenciais à produção e permaneçam em sua posse.
A LL Administração Judicial, representada pelo advogado Renan Alves Lemes, foi nomeada administradora judicial. Credores têm 15 dias corridos, a partir da publicação do edital, para apresentar habilitações ou contestar os valores diretamente à administradora, pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (65) 99224-1644.







