A Polícia Federal quer usar imagens de satélite e modelos de inteligência artificial para encontrar áreas onde há probabilidade de trabalho análogo à escravidão, a partir de cerca de 20% do território brasileiro monitorado de forma contínua. O projeto foi admitido por unanimidade pelo Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (CFDD), ligado ao Ministério da Justiça, em reunião extraordinária de 17 de setembro. A ata foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (8).
O foco é o trabalho escravo associado a atividades de impacto ambiental. Segundo a ata, o projeto prevê identificar as áreas de maior risco e repassar "informações estratégicas que subsidiem as ações de inteligência, fiscalização, investigação e responsabilização". O trabalho será feito dentro do Programa Brasil MAIS, de monitoramento por satélite.
O perito criminal da PF Cristiano da Cunha Duarte apresentou a proposta ao conselho pela segunda vez. Na reunião de 30 de julho, os conselheiros tinham pedido diligências, e a polícia voltou com a versão ajustada. Depois da admissão, a presidente do CFDD, Renata Ruback Guedes Pereira dos Santos, escolheu a conselheira Luciana Loureiro Oliveira, representante do Ministério Público Federal, para relatar o projeto.
A admissão não libera dinheiro. O fundo financia projetos com recursos de multas e condenações por danos a direitos coletivos, como meio ambiente e consumo. A relatora vai analisar o mérito e o orçamento antes de o projeto voltar ao plenário. A ata não informa quanto a PF pede.
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)
Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)
Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).
Esse não é o único pedido da PF sobre o tema. Na reunião ordinária de 2 de setembro, o conselho já tinha admitido, também por unanimidade, outro projeto da corporação para fortalecer o combate ao trabalho análogo à escravidão e proteger povos indígenas em áreas mais vulneráveis. A proposta foi apresentada pelo diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali.







