"Enquanto muitas famílias peregrinavam e oravam para que Deus pudesse salvar essas vidas, dentro da Secretaria de Estado de Saúde nós tínhamos uma organização criminosa que se apropriava dos recursos públicos.” A declaração foi feita pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT), na sessão desta quinta-feira (19), ao defender a instalação da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
No discurso, Barranco afirmou que a comissão precisa investigar denúncias surgidas a partir de operações da Polícia Judiciária Civil durante a pandemia da Covid-19. Segundo ele, relatórios da investigação indicariam que ocupações hospitalares teriam sido forjadas. “Forjando leitos e ocupações de leitos que não existiam. E para que essas ocupações fossem forjadas, muitas pessoas morreram porque não tinham acesso a esses leitos que no papel estavam ocupados, mas que lá na prática não estavam”, declarou.
O deputado informou que o líder do bloco, Lúdio Cabral (PT), já encaminhou memorando indicando Wilson Santos (PSD), autor do requerimento da CPI, como membro titular da comissão, com o próprio Lúdio como suplente. Barranco afirmou que apoia a investigação “desde o seu princípio” e elogiou a coleta de assinaturas.
Ao defender a abertura da CPI, o parlamentar afirmou que a Assembleia tem o dever constitucional de fiscalizar o Executivo. “É papel dos deputados estaduais fiscalizar e não deixar que situações de apropriação indevida de recursos públicos para fins particulares ocorram no governo do Estado de Mato Grosso”, disse.
Barranco sustentou que a CPI deve esclarecer o uso dos recursos destinados ao enfrentamento da pandemia e permitir que os citados nas investigações apresentem defesa no âmbito legislativo. O governo estadual já afirmou, em outras ocasiões, que as contratações realizadas durante a Covid-19 obedeceram à legislação e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos competentes.








