O Democracia Cristã confirmou na sexta-feira (24), a advogada Clariana Barão, moradora de Várzea Grande, como pré-candidata à Presidência da República. Ela preside o diretório estadual do partido em Mato Grosso e irá assumir a cabeça de chapa depois que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa desistiu de concorrer. Com a definição, Clariana passa a ser a segunda mulher inscrita na corrida ao Planalto, ao lado de Samara Martins, do Unidade Popular.
O presidente nacional do DC, João Caldas, reconheceu que a legenda entra na disputa com estrutura reduzida e sem tempo de propaganda na televisão. Antes de chegar ao nome dela, o partido tentou viabilizar a candidatura do ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo e depois articulou Barbosa, que deixou a disputa após não ver atendidas as condições que havia colocado à direção partidária.
Advogada e empresária, sem mandato eletivo anterior, Clariana Barão construiu em Várzea Grande um trabalho de assistência em comunidades de periferia, com arrecadação de alimentos, roupas e material escolar. Em maio de 2024, organizou um grupo de voluntários para atuar no socorro às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
Nesta entrevista, ela responde sobre a sequência de nomes testados pelo partido, explica como pretende chegar ao eleitor sem televisão, detalha o que faria pelas mulheres nos primeiros cem dias de governo e diz onde se posiciona diante da polarização que domina a eleição.
Fatos de MT - A senhora preside o Democracia Cristã em Mato Grosso e agora encabeça a chapa nacional do partido. Como se deu essa passagem e em que momento entendeu que o convite era para valer?
Clariana Barão - O partido sempre trabalhou para apresentar uma candidatura própria à Presidência da República. O Brasil merece ter uma alternativa a essa polarização que já cansou tanta gente. O ex-ministro Joaquim Barbosa sempre foi um grande nome que o partido buscou construir. Agora, poder colocar uma mulher nessa disputa também é motivo de muito orgulho para nós. Quando recebi esse convite, entendi que era uma missão. E missão a gente não escolhe, a gente assume.
Fatos de MT - O partido trabalhou antes com Aldo Rebelo e depois com Joaquim Barbosa. A senhora chega como terceiro nome. Como responde a quem enxerga aí uma escolha de ocasião, e não um projeto?
Clariana Barão - A disputa presidencial não começa igual para todo mundo. Alguns candidatos já largam com muito mais estrutura, visibilidade e reconhecimento. Isso faz parte da realidade política. É natural que um partido converse primeiro com nomes de maior alcance, mas nós sempre discutimos outras possibilidades caso isso não se concretizasse. A diferença é que eu não estou aqui como um plano B. Estou aqui porque acredito no projeto e porque não vou desistir.
Fatos de MT - A senhora já disse que quer ser a voz das mulheres nesta eleição. Traduzindo isso em governo: quais políticas colocaria em prática nos primeiros 100 dias de mandato?
Clariana Barão - Todos os dias mulheres são vítimas de violência no Brasil. Em muitos casos, mortas por quem dizia amá-las. Há mais de dez anos eu praticamente não assisto televisão porque me dói ver tantas histórias de mães, filhas e irmãs que perderam a vida por ciúme, por controle, por violência.
Nos meus primeiros cem dias de governo, medida protetiva vai valer de verdade. Boletim de ocorrência não pode ser apenas um papel. Quem ameaçar uma mulher vai entender que o Estado está ao lado da vítima, e não do agressor. Vamos integrar as forças de segurança, usar tecnologia e agir com rapidez para salvar vidas. Mulher não pode viver com medo.
Fatos de MT - Se pudesse resumir em três compromissos o que a sua pré-candidatura propõe ao país, quais seriam?
Clariana Barão - O primeiro compromisso é cuidar das mulheres. Hoje, a maior parte das decisões políticas ainda é tomada por homens. Muitas vezes faltam políticas que enxerguem a realidade feminina: creches perto de casa, proteção contra a violência, acolhimento e oportunidades. Isso precisa mudar.
O segundo é investir nas nossas crianças. Toda criança merece uniforme de qualidade, material escolar digno e uma educação que lhe dê oportunidades. Isso parece simples, mas faz uma diferença enorme na vida de milhões de famílias.
E o terceiro é mudar a forma como Brasília funciona. Sei que uma reforma política não depende apenas do presidente, mas quero liderar essa discussão. Precisamos de uma máquina pública que trabalhe para as pessoas, e não para projetos de poder.
Fatos de MT - O presidente do partido reconheceu que o DC tem estrutura reduzida e ficará sem tempo de televisão. Como a senhora pretende alcançar o eleitor nessas condições, e o que considera vitória ao fim da campanha?
Clariana Barão - A campanha não começa igual para todos. Isso não é bom para a democracia, mas é a realidade. E, sinceramente, quanto maior o desafio, mais motivada eu fico.
Vamos usar aquilo que hoje aproxima as pessoas: as redes sociais, o contato direto e a mobilização popular. Quero entrar na casa das pessoas pelo celular, conversar olhando nos olhos, sem intermediários.
Também me incomoda saber que, em 2026, teremos tão poucas mulheres disputando a Presidência. Quero representar essa voz. Quero conversar principalmente com mulheres que nunca se sentiram verdadeiramente representadas na política. Se eu conseguir fazer com que elas se sintam ouvidas, já estaremos mudando muita coisa.
Fatos de MT - A senhora construiu em Várzea Grande um trabalho social em comunidades de periferia e chegou a se deslocar ao Rio Grande do Sul durante as enchentes. O que aprendeu nessas experiências que hoje sustenta o seu programa?
Clariana Barão - Eu cresci numa família que sempre ensinou que ajudar o próximo não é obrigação de governo, é dever de quem pode fazer alguma diferença.
A gente ajudava com recursos, mas principalmente com tempo, carinho e presença. Minha filha, por exemplo, participou da nossa última ação social fazendo as unhas de mulheres em situação de vulnerabilidade. Pode parecer um gesto pequeno, mas, para quem está sofrendo, ser tratado com dignidade faz toda a diferença.
Quando aconteceram as enchentes no Rio Grande do Sul, eu senti que precisava estar lá. Não fui porque era política. Nem era candidata. Fui porque era a coisa certa a fazer. É esse olhar humano que quero levar para a Presidência.
Fatos de MT - Mato Grosso é o maior produtor de grãos do país e concentra o debate entre produção e meio ambiente. Como a senhora equilibra os dois lados e o que proporia na prática?
Clariana Barão - Eu venho de Mato Grosso e conheço de perto a força do agronegócio. O agro movimenta a economia brasileira, gera empregos e ajuda a colocar comida na mesa de milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, também acredito que cuidar do meio ambiente é uma obrigação. Não precisamos escolher entre um e outro. O caminho é produzir com responsabilidade, preservar nossos recursos naturais e investir em tecnologia para que o Brasil continue sendo uma potência agrícola sem abrir mão das próximas gerações.
Fatos de MT - Sair de Várzea Grande para disputar a Presidência é um percurso incomum na política brasileira. O que a senhora quer que o país entenda sobre o Centro-Oeste a partir da sua candidatura?
Clariana Barão - É um desafio enorme, mas eu nunca tive medo de desafios.
Sei que não sou política de carreira, que não pertenço a um grande partido e que muita gente olha para isso com desconfiança. Talvez, se eu fosse um empresário homem, esse questionamento fosse menor.
Eu me apresento como aquilo que sou: uma empresária, advogada, mãe e uma outsider. Alguém que decidiu aceitar esse desafio porque acredita que o Brasil precisa ouvir novas vozes. Independentemente de eu ser de Várzea Grande, de Mato Grosso ou do Centro-Oeste, antes de tudo eu sou brasileira.
Fatos de MT - A eleição está organizada em torno de dois polos. Onde a senhora se coloca nesse cenário e o que oferece ao eleitor que não se reconhece em nenhum deles?
Clariana Barão - Antes de dividir o Brasil entre lados, eu quero conversar com quem está cansado dessa divisão. Tem muita gente que não quer mais votar no menos pior. Quer votar na melhor opção.
Quero falar especialmente com as mulheres, para que elas possam olhar para a urna e sentir que existe alguém que conhece suas dificuldades, fala sua linguagem e entende sua realidade.
Não me coloquem em um campo. Eu me coloco à disposição do povo brasileiro. Daquele que perdeu a esperança, daquele que está decepcionado e até daquele que pensa em nem votar mais. O meu convite é simples: não desista do Brasil. Nós podemos construir o país que merecemos.
Fatos de MT - O que a senhora diria a quem está lendo o seu nome pela primeira vez nesta entrevista?
Clariana Barão - Primeiro, eu quero pedir que você me acompanhe. Conheça minha história antes de formar uma opinião.
Eu sou uma brasileira como milhões de outras. Não venho de uma família tradicional da política, não tenho uma estrutura de poder por trás de mim e nunca vivi da política.
Sou mãe, advogada, empresária. Já fui esposa, hoje sou separada, acordo cedo, trabalho e enfrento os mesmos desafios que tantas mulheres enfrentam todos os dias.
Aceitei esse desafio porque acredito que a política ainda é a maior ferramenta de transformação social que existe. Eu poderia simplesmente cuidar da minha vida, mas escolhi tentar ajudar a cuidar do nosso país.
Quero que você conheça mais a Clariana, conheça nossas ideias e caminhe conosco. O Brasil merece uma nova forma de fazer política.
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)







