A reabertura do debate sobre os gastos da pandemia provocou reação imediata do Palácio Paiaguás. Nesta terça-feira (3), o governador Mauro Mendes (União) afirmou que a proposta de instalação da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa de Mato Grosso tem motivação política e retoma fatos que, segundo ele, já foram investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A comissão pretende apurar supostas irregularidades em compras realizadas entre 2019 e 2021, período que inclui a Covid-19.
Em entrevista à imprensa, o governador negou qualquer interferência do Executivo na formação da CPI, após questionamentos sobre eventual orientação para que o líder Dilmar Dal Bosco (União) e o vice-líder Beto Dois a Um (PSB) não participassem da comissão. Mauro criticou a reapresentação das assinaturas que viabilizaram o pedido.
“Primeiro, essas assinaturas foram coletadas há mais de dois anos, quando houve uma denúncia feita pela própria Secretaria de Governo, que foi investigada pela Polícia Civil, que concluiu as investigações, que mandou ao Ministério Público, que denunciou as pessoas envolvidas. E dois anos depois, usando de uma manobra, foram apresentadas essas mesmas assinaturas”, declarou.
O governador afirmou que três deputados que constavam como signatários protocolaram requerimento informando que a assinatura não representava mais a vontade atual. “Isso aí não vale, isso era um desejo que eu tinha de mais de dois anos atrás”, citou, ao comentar o argumento apresentado pelos parlamentares.
Para Mauro Mendes, a retomada do pedido tem viés político. “Foi uma manobra política feita. E eu lamento que, nesse momento em que nós temos tanta coisa séria para fazer, temos que perder tempo com isso. Quer investigar? Pode investigar. Mas não investigar aquilo que a polícia já investigou, que o Ministério Público já investigou e que já processou”, afirmou.
Questionado se a presença do líder e do vice-líder do Governo poderia reforçar a credibilidade da CPI, respondeu que ambos são deputados como qualquer outro. “Eles são deputados como qualquer outro. Não teve seriedade na apresentação”, disse.
Sobre eventual convocação para prestar esclarecimentos, o governador declarou que está à disposição. “Eu estou pronto para responder a qualquer coisa do Estado de Mato Grosso”, afirmou.
A CPI da Saúde foi proposta para analisar contratos e despesas emergenciais executadas durante a pandemia, quando o Estado ampliou gastos na área da saúde.








