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Política Terça-feira, 03 de Novembro de 2026, 14:23 - A | A

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MOÇÃO DE REPÚDIO

Michelly Alencar chama de “aberração” nova classificação de desenhos bíblicos

Vereadora de Cuiabá diz que Ministério da Justiça deveria priorizar facções e crimes contra crianças e questiona por que desfiles de Carnaval têm faixa menor

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de MT

Michelly Alencar

A vereadora de Cuiabá Michelly Alencar (União) classificou como “uma aberração” a decisão do Ministério da Justiça que elevou para 12 anos a classificação indicativa do programa Record Kids: Desenhos Bíblicos. Em entrevista na Câmara Municipal nesta terça-feira (3), ela disse que a medida é “um desserviço” e cobrou que a pasta concentre esforços no combate às facções criminosas e aos crimes contra crianças. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que os vereadores aprovaram uma moção de repúdio ao ministério.

“Eu, como uma vereadora militante na proteção das crianças e adolescentes e que acompanho diariamente como tem sido esse enfrentamento, eu encarei isso como um desserviço”, afirmou. “Nós temos um cenário onde o Ministério da Justiça precisa atuar com o enfrentamento das facções criminosas que estão tomando conta de Cuiabá, onde os adolescentes cada vez mais cedo estão sendo cooptados pelas facções.”

Michelly comparou a classificação do desenho à de outros conteúdos da TV aberta. Segundo ela, o Carnaval tem indicação de 10 anos, e novelas reprisadas à tarde mantêm a maior parte das cenas exibidas originalmente à noite. “Então eu posso deixar Carnaval o dia inteiro rolando, as mulheres ali seminuas”, disse. Ela também citou uma cena que afirmou ter mostrado no plenário, com Jesus sendo arrastado e “um demônio horrível”.

Para a vereadora, a decisão faz parte de um movimento maior. “O que a gente tem percebido é que, aos poucos, todos os princípios cristãos que norteiam o nosso país, e aqui eu falo de nortear, eu não estou falando que todos são cristãos, mas a maioria é cristã”, declarou. Segundo ela, esses princípios “estão sendo retirados ou pelo menos existe uma força para retirar”. Michelly citou as críticas à oração do Pai-Nosso em escolas e a retirada de comemorações do Dia dos Pais e do Dia das Mães.

Ela disse ainda que a medida atingiu uma emissora que, em sua avaliação, tem “um certo embate” com o governo Lula e a descreveu como a única a ter a classificação alterada. Em agosto, porém, o ministério também negou classificação livre ao Record Kids – Pica-Pau, que ficou não recomendado para menores de 10 anos.

A Portaria nº 2.272, de 28 de outubro, foi publicada no Diário Oficial da União em 29 de outubro. A Record havia pedido classificação livre, e o ministério atribuiu 12 anos citando atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito. O texto não informa quais episódios ou cenas motivaram a mudança.

A vereadora afirmou que o programa “tem que passar depois das 20 horas”. As regras do ministério, no entanto, tratam o horário como recomendação de cumprimento facultativo. A classificação informa pais e responsáveis, não tira o desenho do ar nem obriga a Record a mudar a grade. A emissora tem dez dias, contados da publicação, para pedir reconsideração.

Em Cuiabá, a reação virou posição da Câmara. A moção apresentada pelo vereador Eduardo Magalhães (Republicanos) foi aprovada com 19 votos na sessão desta terça. Em Brasília, a liderança da oposição na Câmara dos Deputados anunciou uma ação popular na Justiça Federal contra a decisão.

Michelly pediu que outros parlamentares e a sociedade também se manifestem. “Não posso deixar passar uma decisão dessa sem uma manifestação”, disse. Ela afirmou que a rede de pedofilia cresce nos lares e no ambiente virtual, em jogos, conversas e aplicativos. “Eu acredito que a força do Ministério da Justiça deve estar naquilo que realmente protege as crianças e não nos desenhos.”

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