O ex-governador de Mato Grosso, José Pedro Gonçalves Taques, afirmou nesta semana, em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, que investigações conduzidas por sindicatos apontam indícios de irregularidades em operações de crédito consignado ligadas ao Banco Master e possíveis ilegalidades em um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Estado e a empresa Oi. Segundo ele, os fatos começaram a ser apurados em novembro de 2024 e envolvem impacto direto sobre cerca de 106 mil servidores públicos.
Durante a oitiva conduzida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), Taques disse que foi contratado por oito sindicatos e pela federação da categoria para investigar descontos em folha e operações financeiras relacionadas a consignados. A partir desse trabalho, segundo ele, foram reunidos elementos que embasaram ações judiciais, representações em órgãos de controle e investigações em diferentes esferas.
O ex-governador estruturou sua apresentação em três eixos principais, com destaque para o sistema de crédito consignado. Ele descreveu uma evolução do modelo ao longo dos anos e afirmou que, a partir de 2022, houve aumento significativo das margens de comprometimento da renda dos servidores e das taxas de juros, que teriam passado de cerca de 1,7% para até 5,5% ao mês .
De acordo com Taques, esse cenário teria levado a um quadro de superendividamento. Ele também mencionou a atuação de empresas que chamou de “satélites” do Banco Master, que, segundo ele, operariam sem autorização formal do Banco Central e poderiam induzir servidores a contratar crédito sob a aparência de instituições financeiras regulares.
Ainda no depoimento, o ex-governador afirmou que, por decisão judicial, os descontos de consignados chegaram a ser suspensos entre maio e dezembro de 2025. Posteriormente, os valores voltaram a ser descontados, mas passaram a ser depositados em conta vinculada ao Judiciário, até a reavaliação dos contratos.
Taques também apontou possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor e à legislação que trata de crimes contra o sistema financeiro. Segundo ele, as irregularidades foram levadas ao Ministério Público, à Polícia Federal, ao Banco Central e a outros órgãos de controle.
Outro ponto abordado na CPI foi o acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, em abril de 2024, envolvendo um crédito tributário estimado em R$ 308 milhões. Taques afirmou que ajuizou ação popular para questionar a legalidade da transação, alegando ausência de pagamento por meio de precatório e possível afronta à legislação.
Segundo ele, o Ministério Público Estadual se manifestou pela legalidade do acordo, sob o argumento de que houve vantajosidade para o Estado. O ex-governador, no entanto, criticou a manifestação e disse que não foram apresentados cálculos que comprovem esse benefício.
A CPI do Crime Organizado investiga a atuação de instituições financeiras, fundos e estruturas relacionadas a operações que possam ter impacto no sistema financeiro e na proteção de consumidores. O depoimento de Taques integra a fase de oitivas da comissão, que também convocou outros investigados e testemunhas para esclarecer possíveis conexões entre operações financeiras e organizações criminosas.
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