A vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia (MDB), afirmou na noite desta quinta-feira (26), em entrevista ao programa Roda de Entrevista, que não participa das decisões da gestão do prefeito Abílio Brunini (PL), não é chamada para discutir projetos que impactam a capital e atua sem atribuições formais dentro da Prefeitura. A declaração foi dada ao comentar sua rotina no sétimo andar do Palácio Alencastro e a relação institucional com o Executivo municipal.
Questionada se é convidada a participar de reuniões estratégicas ou da elaboração de projetos enviados à Câmara, a vice foi direta: “De forma alguma. Em nenhum momento”. Segundo ela, o contato cotidiano se resume a cumprimentos formais. “Hoje lá no máximo um bom dia, um boa tarde. É isso”, disse.
Vânia afirmou que a falta de atribuições está relacionada à lei orgânica do município, que, na avaliação dela, não garante instrumentos para o exercício efetivo do cargo. “Eu mantenho o entusiasmo, mas não tenho as ferramentas necessárias para fazer isso. Quando eu falo ferramentas, estou falando de atribuições legais, formais. Estou falando de poder”, declarou.
A vice também revelou que o prefeito ofereceu a ela uma secretaria voltada para a pauta feminina, possivelmente a Secretaria da Mulher, mas que recusou o convite. Segundo ela, após os episódios de desgaste interno, optou por permanecer na vice-prefeitura e tentar “reconstruir” o espaço institucional do cargo. “Sou eleita para estar enquanto vice. Não adianta nada eu estar numa secretaria e depois voltar novamente pejorada”, afirmou.
Durante a entrevista, Vânia classificou a função como “um cargo muito solitário” e “penoso”. Ela disse que, mesmo sem atribuições formais, mantém um projeto próprio de enfrentamento à violência doméstica, desenvolvido com universidades e parceiros, sem custo para o município.
A declaração ocorre em meio à recente troca de partido da vice-prefeita, que deixou o Novo e se filiou ao MDB. A mudança gerou reação pública do prefeito, que afirmou não concordar com a presença do MDB na gestão. Apesar disso, Vânia afirmou que não vê prejuízo caso precise assumir a Prefeitura em eventual ausência do chefe do Executivo. “Sou vice-prefeita legitimamente. Se houver necessidade real, irei assumir”, disse.
Ela também reforçou que a mudança de legenda não altera sua postura administrativa. “A Vânia não mudou, independente de estar no MDB ou não”, afirmou.
As declarações evidenciam um distanciamento político dentro do Executivo municipal e ampliam o debate sobre o papel institucional da vice-prefeitura na capital.








