A vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia (MDB), defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, caso seja necessário, para apurar a denúncia de uma ex-servidora, de 31 anos, contra o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, por suposto assédio sexual. A declaração foi dada na noite desta quinta-feira (26), durante entrevista ao programa Roda de Entrevista, ao comentar o enfrentamento à violência contra a mulher e a repercussão do caso dentro da administração municipal.
Questionada se a denúncia, por ter ocorrido no ambiente da Prefeitura, a surpreendeu, Vânia afirmou que não se assusta, mas disse lamentar não ter tido a chance de acolher e orientar a denunciante antes de o episódio vir a público. Segundo ela, situações do tipo podem ocorrer em qualquer espaço e exigem resposta institucional que priorize a apuração dos fatos.
Ao ser perguntada se defenderia uma CPI para expor a denúncia e o denunciado, sem expor a vítima, a vice disse que não seria contra se o instrumento for necessário para esclarecer o que aconteceu. “Se for realmente necessário uma CPI para que seja apurado com fidelidade o que aconteceu, seria importante sim”, afirmou.
Vânia também criticou a condução de apurações restritas a procedimentos internos quando não garantem transparência e resultado. Ela disse que não é aceitável que investigações administrativas terminem sem trazer clareza sobre a ocorrência ou não de abuso. “O que não dá é para aceitar processos administrativos internos que não funcionam e que não vão trazer à tona a realidade”, declarou.
Na entrevista, a vice comparou o tema com a experiência na Polícia Militar, onde, segundo ela, sindicâncias e inquéritos fazem parte da rotina e servem como filtro institucional. Para Vânia, a administração municipal deve adotar o mesmo rigor ao lidar com denúncias que envolvem servidores e integrantes da gestão.
Além da investigação, Vânia reforçou que o combate à violência contra a mulher não pode se limitar à punição após o crime e defendeu políticas de prevenção com foco em educação. Ela citou que desenvolve um projeto próprio, em parceria com universidades, voltado a orientar e conscientizar sobre violência doméstica, com o objetivo de reduzir indicadores como o feminicídio ao longo do tempo.








