Mato Grosso segue como o estado com maior valor de produção agrícola do Brasil, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2025, divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado registrou alta de 37,1% no valor da produção e passou a responder por 17,9% do total nacional. São Paulo aparece em segundo lugar, com crescimento bem menor, de 5,1%.
Sapezal teve o maior valor de produção agrícola entre todos os municípios brasileiros. Foram R$ 8,6 bilhões, 46,6% a mais que no ano anterior, puxados pelo algodão herbáceo, que rendeu cerca de R$ 5,1 bilhões e colocou a cidade no topo do ranking nacional desse produto. Em segundo lugar ficou São Desidério, na Bahia, com R$ 8,2 bilhões.
Sorriso, que liderava a lista em 2024, caiu para a terceira posição. A mudança se explica pela criação do município de Boa Esperança do Norte em 2025, formado com terras de Sorriso e de Nova Ubiratã, o que dividiu parte da produção.
Dos dez municípios com maior valor de produção agrícola do país, cinco são mato-grossenses. Três estão em Goiás e dois na Bahia. Juntos, esses dez municípios geraram R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% de tudo o que o país produziu.
O desempenho do estado ajudou a mudar o mapa nacional. O Centro-Oeste passou o Sudeste e assumiu a liderança regional, com R$ 288 bilhões e crescimento de 31,8%. A diferença entre as duas regiões ficou em R$ 17 bilhões.
Para o IBGE, a disputa comercial entre Estados Unidos e China em 2025 fez o mercado chinês buscar mais soja brasileira, o que manteve os preços internos estáveis nos últimos meses do ano. O instituto também aponta o aumento da demanda por milho para ração animal e etanol como fator que sustentou a rentabilidade.
No país, o valor da produção agrícola chegou a R$ 927,2 bilhões, alta nominal de 18,4%, e a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas somou 345,4 milhões de toneladas, recorde da série histórica. A soja alcançou 165,3 milhões de toneladas e o milho, 141,2 milhões, também recorde. Somados, os dois grãos responderam por 88,7% da produção nacional.
A área plantada acompanhou o movimento. Foram 101,3 milhões de hectares, 4,1 milhões a mais que em 2024. A soja ganhou 1,7 milhão de hectares de área colhida e o milho, 995,2 mil hectares. Feijão e trigo perderam espaço por causa dos preços pouco atrativos na época do plantio.
Entre os produtos, o café teve o maior salto de valor, com aumento de 44,7% e total de R$ 100 bilhões, impulsionado pela alta do preço da saca no mercado internacional. O arroz seguiu no caminho oposto: a safra cresceu 18,6%, mas o valor da produção caiu 12% por causa dos preços baixos e da maior oferta interna.
A pesquisa levantou 70 produtos e passou a incluir itens de horticultura, como abóbora, alface, cenoura e milho verde, além de gergelim e canola. Os dados por município estão disponíveis no Sidra, banco de tabelas do IBGE.








