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Artigos Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 08:37 - A | A

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Glauber Arruda*

Os Novos Trilhos de Mato Grosso: Entre a Riqueza do Campo e o Desafio da Indústria

Por Glauber Arruda*

Sob a égide da Constituição de 1988, o Estado de Mato Grosso, que outrora passava quase despercebido entre as demais unidades federativas devido ao baixo índice habitacional e financeiro, começou a desenhar uma nova trajetória. Naquele período, as decisões socioeconômicas nacionais frequentemente negligenciavam o estado, que carecia de representatividade política e econômica.

Com a divisão territorial em 1977, Mato Grosso enfrentou uma competição acirrada com Mato Grosso do Sul, inclusive entre as capitais Cuiabá e Campo Grande. Embora a divisão pudesse sugerir enfraquecimento, o estado provou o ditado de que "quem divide, multiplica". Inicialmente, com uma base focada na pecuária extensiva — onde se destacava o gado pantaneiro —, Mato Grosso parecia destinado a ser "engolido" pela economia sul-mato-grossense, que estava geograficamente mais próxima do polo industrial de São Paulo.

Contudo, lideranças políticas, encabeçadas por nomes como Dante de Oliveira, revolucionaram o estado ao implementar ações que integraram Mato Grosso ao pujante agronegócio brasileiro. O que era visto como uma área de "mato grosso" e desleixo tornou-se um convite à exploração produtiva. A agricultura passou a ser o "carro-chefe" nos anos 1980, impulsionada pela migração de produtores sulistas que trouxeram consigo tecnologia e investimento. Esse movimento, somado a incentivos governamentais e legislações estratégicas, transformou uma economia incipiente em uma das líderes de crescimento nacional, acompanhando os estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Nesse contexto, surge o questionamento: quem é o maior responsável por esse salto? Os produtores, os gestores ou os contribuintes? Na verdade, foi a junção de todos. Embora grupos busquem o seu próprio protagonismo, foi a união de esforços que consolidou o prestígio financeiro atual, marcado por safras recordes e investimentos em infraestrutura logística.
Todavia, o estado encontra-se agora em uma encruzilhada. Apesar do sucesso no campo, há um baixo investimento no setor industrial.

O desenvolvimento da indústria é indispensável, mas exige decisões políticas corajosas que afetam produtores e empresários. Para que essa transformação ocorra, é preciso garantir pilares básicos: matéria-prima, energia, saneamento, mão de obra qualificada e segurança jurídica.

Este é um processo lento, porém necessário. O caminho de Mato Grosso deve ser o da industrialização. Embora pouco se discuta o tema, a população precisa refletir: vivemos em um estado rico em arrecadação, mas que ainda abriga, em 2026, 60,6 mil pessoas em extrema pobreza e 496,2 mil na pobreza, conforme dados do IBGE. Na Baixada Cuiabana, Cuiabá e Várzea Grande sofrem com desemprego, déficit habitacional e violência.

A industrialização é a chave para elevar o poder econômico, gerando empregos diretos, inovação e aumento real da renda dos cidadãos.

Às vésperas das eleições de 2026, Mato Grosso encontra-se em uma encruzilhada. De um lado, o protagonismo das classes que brigam por seus interesses ocultos e ideologias banalizadas; do outro, uma maioria que não se sente representada e assiste passivamente ao próprio futuro ser decidido sem participação.

A população precisa despertar: o mecanismo de transformação que é o voto consciente em projetos de desenvolvimento real, e não em brigas ideológicas vazias. A industrialização é o caminho necessário para que a riqueza produzida no campo se transforme em comida na mesa de quem vive na cidade. Somente assim faremos jus ao estado que, um dia, deixou de ser "mato" para se tornar a potência que o Brasil respeita.

*Glauber Arruda é Engenheiro Civil e cientista político. 

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