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Artigos Quarta-feira, 18 de Março de 2026, 11:29 - A | A

Quarta-feira, 18 de Março de 2026, 11h:29 - A | A

Márcia Amorim Pedr’Angelo*

Respeito às mulheres também se aprende na escola

Por Márcia Amorim Pedr’Angelo*

Quando estudantes são convidados a refletir sobre quem são as mulheres que fazem diferença na sociedade, algo relevante acontece no processo educativo. O exercício deixa de ser apenas acadêmico e passa a revelar referências, valores e percepções que os jovens constroem sobre o mundo ao seu redor.

Em uma atividade recente realizada na escola que fundei, o Colégio Unicus, cada aluno apresentou a trajetória de uma mulher que admira. Mais do que uma dinâmica escolar, foi um momento de reconhecimento de exemplos reais de liderança, coragem e contribuição social.

Experiências como essa evidenciam uma dimensão essencial da educação contemporânea. Ensinar conteúdos segue sendo parte central da missão escolar, mas a formação de valores, a qualidade das relações e a construção de responsabilidade social tornaram-se igualmente determinantes no processo educativo.

Não é raro que a sociedade se depare com notícias negativas envolvendo estudantes no ambiente escolar, seja por episódios de violência, vandalismo ou situações de desrespeito. Esses acontecimentos, que frequentemente ganham repercussão pública, funcionam como alertas sobre a necessidade de fortalecer a formação ética e emocional das novas gerações.

Por essa razão, a saúde emocional passou a ocupar lugar mais estruturante dentro das instituições de ensino. Recentemente, tivemos a oportunidade de receber a advogada Luciana Zamproni, ex-secretária de Estado da Mulher de Mato Grosso, para uma conversa com nossos estudantes sobre relações de respeito, responsabilidade social e o papel de cada indivíduo na construção de ambientes mais equilibrados.

Momentos como esse ampliam o repertório dos jovens e ajudam a transformar reflexões em postura cotidiana. O debate sobre convivência respeitosa também precisa ser permanente. O respeito às mulheres, por exemplo, não pode ser tratado como tema episódico ou restrito a datas específicas. Ele deve integrar o cotidiano pedagógico, reforçando valores que estruturam relações sociais mais equilibradas.

Essa responsabilidade, no entanto, não deve ser vista como atribuição exclusiva do professor. O docente muitas vezes já está sobrecarregado por exigências pedagógicas e administrativas. A construção de um ambiente de respeito é um compromisso institucional que envolve todo o corpo docente e a equipe de gestão.

É na união de diferentes frentes — coordenação, psicologia e ensino — que a escola sustenta uma cultura capaz de formar cidadãos preparados para a vida em sociedade. No mês em que celebramos o Dia da Escola, vale refletir sobre esse compromisso. Instituições de ensino não existem apenas para preparar estudantes para avaliações acadêmicas, mas para ensiná-los a compreender o outro e respeitar as diferenças. Juntos por uma adolescência saudável e segura.

* Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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