Após quase quatro anos sem reajuste, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager-MT) recomendou a atualização da tarifa de água em Várzea Grande. Em entrevista nesta sexta (20), o presidente do órgão, Luís Alberto Nespolo, afirmou que a medida tem como objetivo corrigir a defasagem acumulada desde 2022 e evitar o colapso do sistema de abastecimento, que enfrenta dificuldades financeiras e operacionais.
De acordo com Nespolo, a recomendação segue o índice oficial de inflação adotado pelo governo, o IPCA, e não representa aumento real, mas apenas a recomposição do valor ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a tarifa atual não cobre os custos do serviço, o que compromete a sustentabilidade do sistema.
O reajuste indicado pela Ager prevê acréscimo de cerca de R$ 24,33 na estrutura tarifária, com valor médio estimado em torno de R$ 4,33 por metro cúbico na faixa inicial residencial. Mesmo com a atualização, o presidente destacou que a tarifa de Várzea Grande ainda permaneceria abaixo da praticada em Cuiabá, atualmente em cerca de R$ 5,12.
O pedido para análise foi feito pelo próprio município. Nespolo explicou que a Ager já havia sugerido a correção em outubro do ano passado, mas a medida não foi adotada à época. Agora, com nova solicitação, a agência refez os cálculos e encaminhou a recomendação.
Pela legislação municipal, o reajuste precisa passar pelo Conselho Municipal de Saneamento antes de ser encaminhado à prefeita, responsável pela decisão final por meio de decreto. A agência atua apenas de forma técnica, indicando os valores com base nos estudos.
O presidente alertou que, para que o cálculo atual seja mantido, a aplicação precisa ocorrer ainda em março. Caso a decisão fique para abril, será necessário considerar um novo índice inflacionário, o que pode resultar em nova atualização tarifária.
Durante a entrevista, Nespolo também abordou as críticas da população sobre a falta de água em diversos bairros, mesmo diante da proposta de reajuste. Ele reconheceu que o problema é histórico e apontou um ciclo que, segundo ele, se retroalimenta ao longo dos anos.
Segundo o presidente, parte da população deixa de pagar a conta devido à irregularidade no abastecimento, enquanto a ausência de arrecadação compromete investimentos e manutenção do sistema. Esse cenário, afirmou, contribui para a persistência das falhas no fornecimento.
Além disso, ele destacou a existência de ligações irregulares e de consumidores sem cadastro ou sem hidrômetro, o que impacta diretamente na arrecadação do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A regularização desses pontos, segundo Nespolo, é essencial para garantir o funcionamento do serviço.
A Ager também recomendou ao município a atualização do cadastro de usuários e a ampliação da medição de consumo como medidas paralelas ao reajuste tarifário. Para o presidente, sem aumento de receita e correções estruturais, não há viabilidade para o sistema se manter.
Sobre estudos apresentados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Nespolo afirmou que ainda se tratam de levantamentos iniciais e que não há conclusão técnica consolidada no momento.
A recomendação da Ager ainda não foi analisada oficialmente pela Prefeitura de Várzea Grande, que deverá decidir se encaminha o reajuste para aprovação do conselho e posterior aplicação.










