O El Niño que provocou chuva e frio em setembro no Centro-Sul do Brasil deve ter efeito diferente em Mato Grosso. A previsão para o estado, entre setembro e novembro, é de chuva abaixo da média histórica, principalmente no norte, e temperaturas elevadas, segundo o boletim nº 3 sobre o fenômeno, elaborado a partir de dados do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC/NOAA) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Em Cuiabá, a Climatempo prevê uma única pancada de chuva, de cerca de 2 mm, na noite desta quinta-feira (17). Depois, a temperatura deve subir para 37 °C na sexta-feira, 40 °C no sábado e 41 °C no domingo (20), com umidade do ar muito baixa e sem previsão de chuva até o fim do mês.
A chuva prevista para esta quinta-feira ocorre durante alerta amarelo de perigo potencial emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para Cuiabá e Várzea Grande. O aviso é válido das 0h às 23h59 e prevê chuva de até 30 mm por hora e ventos de até 60 km/h. O instituto alerta para risco de queda de galhos, alagamentos, descargas elétricas e corte de energia.
Segundo a Climatempo, o aquecimento do Pacífico provocado pelo El Niño não causa diretamente as chuvas no Centro-Sul, mas aumenta a frequência da fase negativa da Oscilação Antártica (AAO). Esse padrão de circulação facilita o avanço de frentes frias e massas de ar polar da Antártida sobre a América do Sul. Nos primeiros 15 dias de setembro, cinco frentes frias atingiram a região, número acima do normal para o período.
As frentes frias encontraram calor e umidade acumulados sobre Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A umidade foi transportada pelo jato de baixos níveis, corrente de ar quente e úmido que parte da Amazônia em direção ao Centro-Sul. Os acumulados chegaram a 200 a 300 milímetros no leste do Paraná, no sul e no leste de São Paulo e no litoral sul do Rio de Janeiro. Em Mato Grosso do Sul, variaram de 70 a mais de 170 milímetros, principalmente no centro-sul do estado.
Áreas de baixa pressão entre o Sul do Brasil, Paraguai, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além da passagem de cavados atmosféricos, mantiveram a instabilidade. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a nebulosidade constante e as sucessivas entradas de ar polar deixaram as temperaturas abaixo do esperado para setembro.
Em Mato Grosso, o boletim federal previa para setembro quedas bruscas e passageiras de temperatura com a entrada de ar frio, mas sem o volume de chuva registrado mais ao sul. Para a segunda quinzena, a Climatempo projeta uma mudança gradual da Oscilação Antártica para a fase positiva, com redução da frequência de frentes frias. As pancadas devem avançar para o interior do Sudeste e do Centro-Oeste, enquanto o Sul continua com chuva frequente e volumosa, principalmente no Paraná e em Santa Catarina.
Em Mato Grosso, a estiagem prolongada aumenta a preocupação com as queimadas. O boletim alerta que a combinação de calor, baixa umidade e atraso das primeiras chuvas da primavera eleva o risco de incêndios em um trimestre no qual a probabilidade de El Niño muito forte supera 90%. Os meteorologistas esperam que o fortalecimento do fenômeno continue favorecendo chuva acima da média no Centro-Sul durante a primavera, enquanto Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo permanecem sujeitos a episódios atípicos nas próximas semanas.
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