25 de Abril de 2026
00:00:00

Cidades Sexta-feira, 24 de Abril de 2026, 16:07 - A | A

Sexta-feira, 24 de Abril de 2026, 16h:07 - A | A

Aposta Perdida

Empresário de VG preso em operação responderá por ameaça contra policial

Após pagar fiança por posse de arma, Wilton Wagner também responde por ameaça e injúria contra policial penal.

Rojane Marta/Fatos de MT

O empresário do ramo de automóveis, Wilton Wagner Magalhães, preso na quinta-feira (23) durante a Operação Aposta Perdida e liberado após pagamento de fiança de R$ 15 mil, também passou a responder a um novo procedimento criminal por ameaça e injúria contra um policial penal. O caso foi formalizado no dia 24 de abril, em Várzea Grande, com audiência preliminar marcada para 29 de junho de 2026, no Juizado Especial Criminal.

De acordo com o termo circunstanciado registrado pela Polícia Civil, o episódio ocorreu na noite do dia 23, quando Wilton já estava sob custódia na Coordenadoria de Custódia e Escolta Metropolitana de Cuiabá. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria se alterado ao ser informado de que seria encaminhado ao presídio Ahmenon Lemos Dantas e passou a proferir ofensas contra policiais penais.

O registro aponta que o empresário chamou os servidores de “burros”, afirmou que “não sabiam de nada” e fez gestos considerados humilhantes, além de ter feito ameaças diretas a um dos agentes responsáveis pela custódia com a frase "vai ver o seu...".

Diante da manifestação da vítima, um policial penal que atuava no plantão, a autoridade policial determinou a lavratura do termo circunstanciado por crimes de injúria e ameaça, com base nos artigos 140 e 147 do Código Penal. O procedimento foi encaminhado ao Judiciário, que já designou audiência preliminar para ouvir as partes.

Em depoimento, Wilton Wagner negou as acusações e afirmou que apenas buscava informações sobre a situação da fiança e do processo no momento em que estava sob custódia. Ele declarou ainda que não houve intenção de desrespeitar os agentes.

O processo tramita sem sigilo no Juizado Especial Criminal e poderá resultar em medidas como acordo entre as partes ou eventual ação penal, a depender do andamento da audiência.

A prisão

Durante as buscas, os policiais localizaram, dentro de um cofre instalado no closet do casal, uma pistola Glock G21, calibre .45, número de série VLU455, acompanhada de 12 munições do mesmo calibre e 50 munições calibre .380. O calibre .45 é classificado como de uso restrito pelo Decreto nº 11.615/2023, que regulamenta o Estatuto do Desarmamento, por apresentar energia superior a 407 joules na saída do cano.

Após consulta nos sistemas policiais, constatou-se que a arma é produto de furto registrado no Boletim de Ocorrência nº 2024.166871, lavrado em junho de 2024 na 1ª Delegacia de Polícia de Cuiabá. À época, a vítima Arthur Henrique Theodoro Rondini, atirador desportivo com registro nº 80071, havia comunicado o desaparecimento da pistola do quarto 804 do Hotel Gran Odara, na avenida Miguel Sutil.

Wilton Wagner Magalhães Vasconcelos, 35 anos, natural de Diamantino, foi autuado pelos crimes de posse de arma de fogo de uso restrito (art. 16 da Lei nº 10.826/2003) e receptação (art. 180 do Código Penal). Teste de eficiência realizado no stand de tiro da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Judiciária Civil confirmou que o mecanismo de percussão da pistola está em pleno funcionamento.

O que disse o empresário

Em interrogatório conduzido pelo delegado Marlon Conceição Luz, Wilton afirmou ter adquirido a arma há cerca de cinco meses de um homem identificado como Micael Borges, proprietário da Thanos Automóveis, em Cuiabá, pelo valor de R$ 15 mil transferidos diretamente para a conta do vendedor. Segundo ele, Micael teria garantido que a arma não tinha histórico criminal, mas alertado que, por ser de calibre restrito, não poderia ser portada em via pública. Wilton disse ter comprado a pistola apenas para manter em casa, como proteção, e negado ter sabido que era furtada. Quanto às 50 munições calibre .380, afirmou que as guardava de uma pistola registrada que havia vendido anteriormente.

O empresário declarou renda mensal de R$ 80 mil, atuar como proprietário da W Car Multimarcas, ter grau superior incompleto, ser casado e pai de dois filhos — Davi, 11 anos, e Ana Júlia, 6 anos. Não possui antecedentes criminais conforme relatório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Liberdade provisória

Na audiência de custódia realizada às 17h45 do mesmo dia, presidida pelo juiz Cássio Leite de Barros Netto, o Ministério Público e a defesa — representada pelo advogado Luis Felipe Monteiro da Silva (OAB/MT 23.836) — requereram a concessão de liberdade provisória. O magistrado homologou o auto de prisão em flagrante, mas recusou a conversão em prisão preventiva por ausência de requisitos concretos, afirmando não haver indícios de que o autuado fosse prejudicar a instrução processual ou impedir a aplicação da lei penal.

Reconhecendo a capacidade econômica declarada pelo próprio autuado, o juiz arbitrou fiança em R$ 15 mil. O valor foi pago no dia seguinte, 24 de abril, e o alvará de soltura foi expedido pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias e encaminhado ao Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas. As medidas cautelares impostas incluem comparecimento a todos os atos processuais e comunicação prévia ao juízo de eventual mudança de endereço.

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

contato@fatosdematogrosso.com.br