Uma fiscalização realizada nos dias 27 e 28 de março identificou 25 trabalhadores em situação irregular em uma fazenda de criação de gado em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso. A operação ocorreu em uma área rural isolada, distante cerca de 200 quilômetros da zona urbana.
No local, os trabalhadores, vindos de diferentes estados, estavam espalhados por vários pontos da propriedade e enfrentavam dificuldades para deixar a fazenda. A ausência de transporte, somada à falta de sinal de comunicação, limitava a circulação e o contato com o exterior. Alguns relataram permanecer no local por meses sem sair.
A apuração apontou que a rotina de trabalho incluía atividades contínuas ao longo da semana, com jornadas que avançavam para os domingos sem registro formal. Além disso, havia um sistema de descontos ligado à compra de itens básicos dentro da própria fazenda, o que mantinha os trabalhadores em constante dependência financeira.
As condições de moradia também apresentavam problemas, com estrutura insuficiente para higiene, ausência de itens essenciais e exposição a riscos, inclusive no manuseio de produtos químicos. Em alguns casos, trabalhadores operavam equipamentos sem preparo adequado.
Durante a ação, áreas e equipamentos foram interditados por apresentarem risco, incluindo setores de produção e instalações consideradas inadequadas.
Diante das irregularidades, os trabalhadores foram retirados da fazenda e encaminhados para atendimento e orientação. O responsável pela propriedade foi notificado a quitar valores trabalhistas superiores a meio milhão de reais.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, que deve dar continuidade às medidas legais.







