O Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig-MT) convocou assembleia geral extraordinária para a próxima quarta-feira (23) para decidir sobre um indicativo de greve e atos públicos. O objetivo é pressionar o governo do Estado a suspender os descontos em folha feitos por instituições suspeitas de fraude em cartões de crédito e de benefício consignado. O edital, assinado pelo presidente do sindicato, Antônio Wagner N. de Oliveira, foi publicado nesta quinta-feira (17) no Diário Oficial do Estado. A reunião será no Centro Político Administrativo, em Cuiabá, na esquina do Tribunal de Justiça com a Casa Civil, com primeira chamada às 8h30 e segunda às 9h. Podem participar servidores da área-meio da capital e do interior, filiados ou não.
A assembleia também vai decidir se autoriza o sindicato a apresentar representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Segundo o Sinpaig, desembargadores estão há meses sem julgar os recursos apresentados pelo escritório AFG & Taques, que defende a categoria, e pelo Ministério Público Estadual. Os dois pedem a suspensão dos descontos da Capital Consig e de empresas do mesmo grupo econômico. Outro assunto da pauta é a cobrança da revisão geral anual (RGA) retroativa. Pelas contas do sindicato, a perda salarial acumulada chega a 18,38%.
No edital, o sindicato afirma que mais de 20 instituições credenciadas pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) para operar o cartão de benefício consignado estão sob suspeita. Segundo a entidade, outras cerca de dez instituições credenciadas pela MT Desenvolve para operar cartão de crédito consignado também são questionadas. O Sinpaig acusa o Executivo, o governador e os órgãos estaduais de controle de não adotarem medidas efetivas para proteger os servidores.
Em julho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fugazi para investigar um suposto esquema de fraude em crédito consignado contra servidores, aposentados e pensionistas de Mato Grosso. Segundo a PF, empresas do grupo ofereciam um produto apresentado como cartão de crédito consignado que, na prática, funcionaria como empréstimo com juros altos e mecanismos que dificultavam a quitação. A investigação também apura possíveis crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Na ocasião, a Capital Consig classificou a operação como "desnecessária e desproporcional" e afirmou que entregaria os documentos solicitados pela Justiça. A empresa nega as acusações. As investigações começaram após representações apresentadas por sindicatos de servidores estaduais em 2025.
Desde o início das denúncias, o governo do Estado adotou medidas administrativas, algumas posteriormente questionadas na Justiça. Em agosto de 2024, a Seplag suspendeu a Capital Consig do sistema de consignados. Em junho de 2025, a secretaria suspendeu os descontos de três instituições ligadas ao grupo.
Em janeiro de 2026, uma decisão administrativa da Seplag suspendeu por 120 dias os repasses referentes a cartões de crédito e de benefício. A portaria que tratava do bloqueio foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em junho deste ano, a desembargadora Vandymara Zanolo aceitou recurso da Procuradoria-Geral do Estado e determinou que os valores descontados dos servidores fossem depositados em juízo, sem repasse às instituições investigadas. O recurso foi apresentado na ação civil pública movida pelo Ministério Público e pelo governo.
A categoria já realizou outra mobilização sobre o caso. No fim de junho, o Sinpaig organizou um ato em frente ao Tribunal de Justiça para cobrar o julgamento do recurso.
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