A candidata à Presidência da República, Clariana Brandão (Missão), moradora de Várzea Grande, criticou as pesquisas eleitorais divulgadas na reta final da campanha e afirmou que a ausência nos debates presidenciais prejudicou a divulgação de suas propostas. Em entrevista à imprensa, neste domingo (04.10), antes de votar, ela classificou os levantamentos de véspera como uma espécie de “boca de urna” e disse que os números apresentados pelos institutos não correspondem à receptividade que encontrou entre os eleitores.
Questionada sobre o fato de ter pontuado em pesquisas anteriores e aparecer próxima de zero nos levantamentos mais recentes, Clariana afirmou que esse tipo de divulgação acaba reforçando a polarização entre os candidatos mais bem posicionados.
“Eu acho que, na verdade, as pesquisas de véspera de eleição são realmente a grande boca de urna. A pesquisa fomenta essa polarização. Temos, historicamente, pesquisas que já são descredibilizadas. Então, pesquisa de boca de urna, para mim, não se sustenta”, declarou.
A candidata acrescentou que encerra a campanha satisfeita com o trabalho realizado e afirmou acreditar que conseguiu transmitir suas principais bandeiras aos eleitores, apesar da pouca visibilidade nos espaços tradicionais de discussão política.
“Eu fiz um trabalho bem-feito. Acho que a mensagem realmente foi passada ao povo brasileiro, às brasileiras, e estou muito tranquila em relação a isso. Pesquisa em véspera de eleição funciona como boca de urna e não como uma informação útil para o povo”, pontuou.
Clariana também demonstrou insatisfação por não ter participado dos debates presidenciais. Segundo ela, a ausência nesses encontros limitou o alcance de sua candidatura e dificultou a apresentação de propostas voltadas principalmente à defesa dos direitos das mulheres, das crianças e à valorização dos empreendedores.
“A falta da participação nos debates me impediu de levar a minha mensagem adiante, porque, aonde eu cheguei com a minha mensagem, fui muito bem recepcionada. Não existe falarmos de democracia plena nesse país sem a participação das mulheres na política e nas mesas onde se tomam as grandes decisões”, afirmou.
Ao avaliar a trajetória eleitoral, a candidata disse que conseguiu apresentar uma alternativa à polarização política e destacou o fato de receber manifestações de apoio de brasileiros que vivem no exterior, incluindo eleitores na Austrália e em Singapura.
“Encerro essa campanha realmente com muito orgulho. Sinto que consegui levar a voz das mulheres adiante. Preguei de uma maneira intransigente o direito das mulheres e das crianças. Mostrei que o país tem alternativa, que não é a alternativa da polarização”, ressaltou.
Mesmo diante dos resultados desfavoráveis nas pesquisas, Clariana manteve o discurso de confiança e afirmou acreditar na possibilidade de disputar o segundo turno. Caso fique fora da próxima etapa, no entanto, evitou antecipar apoio a qualquer outro presidenciável.
Segundo ela, uma eventual definição será discutida posteriormente com o partido, após o encerramento da votação e a divulgação dos resultados oficiais.
“Vou fazer essa avaliação ainda junto com o partido. Por hoje, é só o encerramento de um ciclo muito bonito, uma oportunidade que tive de conhecer o Brasil e os brasileiros. Daqui para a frente, eu ainda não sei”, explicou.
Durante a entrevista, Clariana também foi questionada sobre o embate com Augusto Cury. A candidata descartou procurá-lo para uma reconciliação após as eleições e afirmou que qualquer iniciativa de aproximação deverá partir dele.
“Não pretendo. Quem mexeu comigo foi ele. Então, se ele tiver uma intenção de paz, de pacificação, ele que venha e se retrate. Para mim, não agrega nada o relacionamento com ele”, declarou.
Ao falar sobre a importância de exercer o voto, Clariana destacou a conquista histórica do sufrágio feminino no Brasil e voltou a defender maior participação das mulheres nos espaços de poder. Ela afirmou que a luta pela representatividade antecede sua entrada na política e continuará independentemente do resultado eleitoral.
“Vou exercer esse meu direito de voto, um direito que as mulheres conquistaram há menos de 100 anos e pelo qual temos que batalhar. Antes da política, essa é uma luta do meu CPF: que nós, mulheres, possamos conquistar os espaços nas mesas onde as grandes decisões são tomadas”, destacou.
Após votar, a candidata pretende retornar para casa, em Várzea Grande, onde acompanhará a apuração ao lado dos familiares. Mãe solo, ela fez um agradecimento especial à própria mãe, que assumiu os cuidados com a neta e com a casa durante as viagens da campanha presidencial.
“Minha mãe esteve comigo em todos esses momentos. Para essa máquina girar, para eu poder viajar e andar esse Brasil, minha mãe cuidou da minha filha, cuidou da minha casa, fez as coisas andarem”, relatou.
Clariana afirmou que, independentemente do resultado das urnas, considera a candidatura uma conquista compartilhada com a família e com as mulheres que busca representar.
“É um momento da nossa família, é uma vitória da nossa família. Eu chegar até aqui não significa Clariana, significa a vitória da minha família, das mulheres, das crianças”, concluiu.
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