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Eleições Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, 07:20 - A | A

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AVIÕES DO ESTADO

Voos de Pivetta coincidem com agendas eleitorais e Justiça quer saber quem pagou

A coligação de Wellington Fagundes aponta dois voos em aeronaves públicas ou contratadas pelo governo em dias de agenda de campanha em Sinop e Tangará da Serra

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de Mato Grosso

Justiça quer saber quem pagou voos de Pivetta em dias de agenda eleitoral

Justiça quer saber quem pagou voos de Pivetta em dias de agenda eleitoral

O juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado, negou o pedido da coligação Coração da Gente para proibir o governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) de usar aeronaves do Estado em deslocamentos de campanha. A ação, que acusa Pivetta de ter voado em aviões ligados ao governo para cumprir agendas eleitorais em Sinop e Tangará da Serra, seguirá tramitando. A candidata a vice Gisela Simona (União) também é alvo por integrar a chapa. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (17) no Diário da Justiça Eletrônico. Segundo o magistrado, as provas apresentadas até agora não são suficientes para justificar uma ordem imediata.

Somadas, as duas viagens teriam custado cerca de R$ 42,1 mil, segundo estimativas da coligação de Wellington Fagundes (PL). Em 10 de setembro, Pivetta teria ido de Cuiabá a Tangará da Serra e voltado à capital em um avião da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), com custo estimado em R$ 13,6 mil. Na véspera, teria feito uma viagem de ida e volta a Sinop em uma aeronave da Abelha Táxi Aéreo, empresa que, segundo a ação, tem contrato com a Casa Civil para fretamento de voos do Gabinete Militar. Esse trajeto teria custado R$ 28,4 mil.

De acordo com a coligação, os horários dos voos coincidem com uma carreata, reuniões políticas e uma visita ao Hospital Regional de Tangará da Serra, divulgada posteriormente como material de campanha. Em Sinop, o governador teria se encontrado com políticos, empresários e profissionais de saúde e participado de uma reunião para pedir apoio eleitoral. A campanha de Pivetta divulgou a participação dele, no dia 10, em Tangará da Serra, em uma mobilização de apoiadores realizada em mais de cem municípios.

O juiz reconheceu que registros aeronáuticos, dados de rastreamento e publicações em redes sociais indicam a quem pertencem os aviões, os trajetos, os horários e a presença de Pivetta nas duas cidades. Segundo a decisão, porém, esses dados não esclarecem quem autorizou e pagou cada voo, quem estava a bordo nem se houve compromissos oficiais no mesmo dia. A coincidência de horários foi considerada um indício relevante, mas ainda insuficiente sem a análise dos registros oficiais e da manifestação da defesa.

Morgado considerou ainda a condição de Pivetta como governador em exercício. Segundo a decisão, é necessário distinguir os compromissos institucionais, as exigências de segurança e as atividades exclusivamente eleitorais. Para o magistrado, essa análise não pode ser feita apenas pela sequência das postagens e dos voos. A proibição solicitada alcançaria todas as viagens até a eleição e, segundo ele, anteciparia o julgamento da ação. O juiz observou ainda que a coligação não indicou voo futuro ou agenda já marcada que demonstrasse risco concreto de repetição.

O magistrado ressaltou que a negativa do pedido não significa que os voos tenham sido considerados regulares. A solicitação para que Casa Civil, Sesp e a empresa de táxi aéreo apresentem ordens de serviço, requisições de voo, diários de bordo, listas de passageiros e notas fiscais será analisada após a manifestação da defesa. Pivetta e Gisela foram citados para se manifestar.

A ação se baseia na Lei das Eleições, que proíbe agentes públicos de usar bens e serviços públicos em benefício de candidaturas. Para esse tipo de conduta, a legislação prevê multa e, conforme a gravidade do caso, cassação do registro ou do diploma.

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