O ministro Alexandre de Moraes cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o levantamento do sigilo da Petição 15.645, procedimento derivado do caso Banco Master que, segundo ele, ficou fora da abertura de autos determinada pela Presidência em 11 de setembro, apesar de conter "elementos essenciais" para o julgamento da Pet 16.662, marcado para terça-feira (15). No Ofício GMAM 11/2026, assinado às 10h04 deste domingo (13), Moraes transcreve a decisão de Fachin da sexta-feira, que acolheu pedido do vice-procurador-geral da República, titular da ação penal, para que o relator André Mendonça enviasse "em até 24h", em HD, à Presidência e a todos os gabinetes, "todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556 e à denominada Operação Compliance Zero (Inq 5026)", com levantamento do sigilo, ressalvadas apenas diligências em andamento. Horas depois, Fachin despachou sem decidir: registrou que a 15.645 "não está entre os que foram especificamente listados pela Procuradoria-Geral da República" e intimou o procurador-geral, Paulo Gonet, a se manifestar "com a brevidade".
Depois de citar a ordem de Fachin, Moraes escreve: "Ocorre, entretanto, que não foi levantado o sigilo da PET 15645, distribuída por prevenção ao Ministro André Mendonça e que possui elementos essenciais para o julgamento da PET 16662, previsto para a próxima terça-feira, 15 de setembro." Em seguida, pede que o presidente determine a abertura e "a disponibilização dos autos a todos os integrantes do colegiado, antes do referido julgamento".
A decisão de 11 de setembro, transcrita no ofício, mostra que a abertura dos autos do caso Master decorreu de um pedido formal do vice-procurador-geral da República acolhido pela Presidência, com prazo de 24 horas e ordem de remessa física dos arquivos a todos os gabinetes. A única exceção prevista eram "as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade". Mendonça levantou o sigilo da Pet 15.556 e de 14 procedimentos relacionados e distribuiu HDs aos ministros, mas a 15.645 não entrou no lote.
A Pet 15.645 reúne informações sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master apuradas na Compliance Zero. O despacho de Fachin registra que a petição não constava da relação apresentada pela PGR no documento 83 dos autos. Por isso, o presidente encaminhou a questão ao procurador-geral da República antes de decidir sobre o levantamento do sigilo.
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Paulo Gonet deverá se manifestar sobre a inclusão da Pet 15.645 entre os procedimentos abertos aos ministros. O procurador-geral recebeu, em 1º de setembro, o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro e Moraes, encaminhado por Mendonça, e deverá se manifestar na sessão sobre a inclusão do ministro nas apurações. Fachin não estabeleceu prazo, além de pedir que a resposta seja apresentada "com a brevidade".
É o segundo ofício de Moraes ao presidente em três dias sobre o mesmo tema. No Ofício GMAM 07/2026, ele já havia pedido o "imediato levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção, dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556", com certificação pela área de tecnologia do tribunal de quantos procedimentos existem, "evitando-se escolha seletiva e direcionamento subjetivo". Fachin respondeu na sexta-feira que pedido semelhante de Cristiano Zanin já tinha sido atendido. No ofício deste domingo, Moraes aponta uma petição específica que ficou fora da abertura.
No sábado, a defesa de Vorcaro pediu a Fachin que qualquer abertura de dados passe por filtragem prévia de conteúdo íntimo, fotos dos filhos e conversas com advogados. Neste domingo, além do ofício de Moraes, Mendonça pediu ao presidente que ouça em 24 horas os quatro delegados da PF que assinaram a representação original sobre como a cópia lacrada do celular chegou ao seu gabinete em março e sobre "eventuais constrangimentos sofridos ao longo das investigações". O relator reiterou que não abrirá o celular antes da sessão porque isso "contribuiria para tumultuar o julgamento". Moraes, Zanin e Gilmar Mendes cobram a íntegra da extração desde sexta-feira.
A sessão extraordinária de terça-feira é dedicada exclusivamente à Pet 16.662. A Pet 16.704, que reúne os documentos sobre a conduta de Mendonça, foi agendada por Fachin para 23 de setembro.







