19 de Setembro de 2026
00:00:00

Jurídico Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, 15:50 - A | A

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, 15h:50 - A | A

R$ 19,7 MILHÕES BLOQUEADOS

Briga de Várzea Grande por precatórios volta ao TJMT na próxima quinta

Agravo do município aparece na pauta da sessão administrativa do dia 24, com relatoria do presidente do tribunal

Rojane Marta/Fatos de MT

PMVG

Com quase R$ 1 bilhão em precatórios, VG tenta liberar R$ 19,7 milhões bloqueados

Com quase R$ 1 bilhão em precatórios, VG tenta liberar R$ 19,7 milhões bloqueados

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) julga na próxima quinta-feira (24) o recurso do Município de Várzea Grande contra decisão tomada no procedimento da Central de Conciliação dos Precatórios, no qual a Presidência da Corte determinou, em julho, a retenção de repasses federais e estaduais para cobrir R$ 19,7 milhões em parcelas atrasadas. A pauta da sessão administrativa foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico disponibilizado nesta quinta-feira (17). O julgamento está marcado para as 14h, no Plenário 2, sob relatoria do presidente do tribunal, desembargador José Zuquim Nogueira, autor da decisão contestada pela prefeitura.

O bloqueio atingiu recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e foi determinado depois que o município deixou de cumprir parcelas do Plano Anual de Pagamentos, cronograma apresentado ao tribunal pelos entes submetidos ao regime especial de precatórios. Na mesma decisão, o presidente encaminhou o caso ao Ministério Público para apuração de possível improbidade administrativa e descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Há divergência sobre quais parcelas estavam em aberto. Os autos do procedimento indicam atraso nas parcelas de abril, maio e junho de 2025 e 2026. A prefeitura afirma que o bloqueio decorreu de três parcelas de aproximadamente R$ 6,5 milhões cada, referentes a débitos acumulados em 2023 e 2024.

No dia seguinte à decisão, a prefeita Flávia Moretti (PL) decretou calamidade financeira e fiscal na administração municipal e no Departamento de Água e Esgoto (DAE), inicialmente por 180 dias. Os decretos suspenderam novas despesas, eventos, compras de bens permanentes sem urgência e novos contratos e estabeleceram prioridade para saúde, educação, assistência social, folha de pagamento, limpeza urbana e abastecimento de água.

Confira as últimas notícias do  Fatos (CLIQUE AQUI)

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

Segundo a prefeitura, Várzea Grande tem orçamento anual de cerca de R$ 2 bilhões, acumula aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios e passou a desembolsar em torno de R$ 6 milhões por mês com a dívida judicial. Na gestão anterior, o pagamento mensal era de aproximadamente R$ 500 mil.

Dados do procedimento da Central de Precatórios registram aumento do passivo de R$ 357 milhões, declarados em agosto de 2024, para R$ 965 milhões em dezembro de 2025.

A situação do DAE também foi incluída no decreto de calamidade. O documento cita apontamentos do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), entre eles déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia, R$ 158,8 milhões em créditos não inscritos em dívida ativa e mais de R$ 314 milhões em precatórios.

A autarquia recebeu prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação. A prefeitura atribui parte do aumento da dívida judicial do município à incorporação dos precatórios do DAE.

Cinco procuradores municipais atuam no recurso que será julgado pelo Órgão Especial, entre eles o procurador-geral Maurício Magalhães Faria Neto. Ele classificou o decreto de calamidade como um regime extraordinário de gestão fiscal e ressaltou que o reconhecimento feito pelo município não produz automaticamente os efeitos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, que dependem da manifestação dos órgãos competentes.

Além do recurso no TJMT, a prefeitura acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em agosto para tentar suspender o bloqueio. O município argumenta que pretende adequar o cronograma de pagamento à sua capacidade financeira sem comprometer os serviços essenciais.

O pedido considera as mudanças introduzidas pela emenda constitucional aprovada em setembro de 2025, que estabeleceu limites para o desembolso com precatórios conforme a relação entre o estoque da dívida e a receita corrente líquida. Com base nas novas regras, a Corregedoria Nacional de Justiça já determinou a revisão de planos de pagamento e de bloqueios em casos envolvendo entes públicos de Goiás e da Bahia.

No fim de julho, o TCE-MT instalou uma mesa técnica para discutir a situação de Várzea Grande, com participação da prefeitura, TJMT, CNJ, Câmara Municipal, DAE e Associação Mato-Grossense dos Municípios.

Entre as medidas discutidas estão a aprovação de uma lei para permitir acordos diretos com credores, a revisão da legislação estadual sobre a distribuição do ICMS e a destinação de receitas futuras do DAE ao pagamento dos precatórios da própria autarquia. Na ocasião, o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, atribuiu a situação a cerca de 40 anos de inadimplência.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

[email protected]