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Jurídico Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026, 13:24 - A | A

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Venda de sentenças

Produtores citam suspeita de compra de sentença para tentar anular decisão no TJMT

Eles queriam usar as provas da Operação Sisamnes para anular uma decisão do desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho.

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

tjmt

O ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou o pedido de quatro produtores rurais que queriam ter acesso a um processo sigiloso sobre suspeita de venda de decisões judiciais para tentar anular uma decisão que os prejudicou no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A decisão que eles pretendem derrubar foi proferida pelo desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, investigado na Operação Sisamnes.

O grupo perdeu uma ação em que discutia os limites de uma área rural e, depois, entrou com uma ação rescisória no TJMT para tentar reverter o resultado. O processo foi relatado por Sebastião de Moraes, que primeiro concedeu uma medida para suspender a cobrança movida pela outra parte e, em seguida, revogou essa medida e encerrou a ação sem analisar o mérito, segundo o relato apresentado ao STJ.

Os produtores afirmam que, depois disso, passaram a circular boatos de compra de sentença no caso e que vieram a público informações da Operação Sisamnes envolvendo o desembargador. Com base nisso, pediram ao STJ vista de um processo que trata de supostas fraudes processuais, enviado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao tribunal. O objetivo declarado era obter provas para propor uma nova ação rescisória. Eles não apresentaram nenhum elemento que ligue o caso deles à investigação, além da atuação do desembargador.

O ministro não conheceu do pedido. Segundo ele, o STJ só pode analisar medidas urgentes quando existe um recurso dirigido à corte, o que não acontece aqui, já que o caso sequer esgotou as instâncias de Mato Grosso. Raul Araújo também classificou como despropositado o pedido de acesso a informações sigilosas de uma eventual ação penal, protegida por segredo de Justiça, "sem nenhuma evidência concreta de relação com o caso em análise". Antes disso, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, havia concedido gratuidade de Justiça aos produtores e mandado distribuir o pedido.

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Sebastião de Moraes Filho é investigado desde 2024. Ele foi afastado das funções pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em agosto daquele ano e virou alvo da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, deflagrada em novembro, que apura suspeita de comércio de decisões no TJMT e no próprio STJ. A investigação nasceu da perícia no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023.

Em novembro de 2025, ao completar 75 anos, o magistrado foi aposentado compulsoriamente. Ele usa tornozeleira eletrônica desde novembro de 2024, está proibido de entrar no TJMT e de falar com outros investigados, e entregou o passaporte. No fim de agosto deste ano, o ministro Cristiano Zanin, do STF, negou o pedido da defesa para retirar o monitoramento, por entender que a aposentadoria não elimina o risco de influência e que a investigação ainda tem diligências pendentes.

Sebastião responde a um processo disciplinar no CNJ e é investigado em inquérito no STJ por suspeita de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nenhuma denúncia foi apresentada até agora nesse núcleo da investigação. A defesa nega as acusações e sustenta, entre outros argumentos, que não foram identificadas transferências ao magistrado ou a familiares, além de contestar a ligação dele a decisões citadas na apuração.

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