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Jurídico Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026, 20:17 - A | A

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026, 20h:17 - A | A

URGÊNCIAS PREJUDICADAS

Sem conseguir protocolar até medidas urgentes, OAB pede suspensão de atos no TJMT

Ofício da presidente Gisela Cardoso ao desembargador José Zuquim Nogueira relata que advogados não conseguiram protocolar nem distribuir ações, inclusive urgentes, no primeiro dia de retomada do sistema.

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Gisela Cardoso

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso pediu nesta segunda-feira, 28, ao Tribunal de Justiça a suspensão de atos e atividades jurisdicionais, inclusive audiências, até o completo restabelecimento do Processo Judicial Eletrônico (PJe). O ofício, assinado pela presidente da seccional, Gisela Cardoso, e dirigido ao presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, relata que a entidade recebeu inúmeras reclamações de advogados desde as primeiras horas do dia, quando o sistema foi reaberto ao público externo depois de uma semana fora do ar por causa de um incidente de segurança. Segundo a OAB, a instabilidade impediu em muitos casos o protocolo e a distribuição de processos, inclusive de medidas urgentes, e prejudicou audiências já marcadas.

Para a presidente da Ordem, o problema não se resume a uma falha técnica. Sem acesso ao PJe, argumentou, o advogado não consegue protocolar uma medida nem participar de uma audiência, e isso compromete o contraditório e a ampla defesa, com prejuízo direto ao exercício profissional e ao cidadão. A entidade sustenta que realizar audiências enquanto a advocacia não tem acesso efetivo ao sistema limita, quando não impede, a atuação dos profissionais, e que o cancelamento é a medida mais adequada para preservar direitos.

Além da suspensão das audiências, a OAB-MT requereu a ampliação dos canais de atendimento para medidas urgentes, como habeas corpus, mandados de segurança, liminares, revogações de prisão e antecipações de tutela, com possibilidade de recebimento por e-mail ou outro meio de acesso ao Judiciário, para evitar que direitos pereçam enquanto o PJe não se estabiliza.

O pedido contraria a orientação do Tribunal na retomada. Na nota da manhã, o TJMT informou que as audiências não estavam suspensas e que eventual dificuldade de acesso a um processo deveria ser levada ao magistrado responsável, que avaliaria caso a caso a existência de prejuízo. Os prazos processuais, por sua vez, seguem suspensos até quarta-feira, 30, com recontagem a partir de quinta-feira, 1º de outubro. Durante a paralisação da semana passada, pedidos urgentes foram atendidos em regime de plantão.

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No início da noite, a Corregedoria-Geral da Justiça admitiu que o sistema apresentou instabilidades ao longo de todo o primeiro dia de operação e atribuiu parte do problema a dois eventos externos: o rompimento de uma fibra óptica em um incêndio em poste perto da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Cuiabá, e a indisponibilidade de um dos links usados para publicar os serviços. O Tribunal afirmou que a possibilidade de ajustes já era prevista, razão pela qual os prazos foram mantidos suspensos, e que espera maior estabilidade nos próximos dias. Até a publicação desta reportagem, o TJMT não havia respondido ao ofício da OAB.

O PJe ficou desligado de 21 a 27 de setembro depois que o Tribunal identificou acesso indevido a logins e senhas criptografadas de usuários da rede. A Corte diz não ter encontrado indícios de acesso a outros dados pessoais, a decisões judiciais ou aos backups, redefiniu as credenciais e mantém a investigação em andamento, sem autoria divulgada.

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