19 de Setembro de 2026
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Mato Grosso Domingo, 13 de Setembro de 2026, 10:48 - A | A

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EL NIÑO MUITO FORTE

El Niño pode atrasar chuvas em Mato Grosso e manter calor acima da média até novembro

Previsão conjunta de sete órgãos indica El Niño muito forte e chuva abaixo da média no centro-norte do país entre setembro e novembro

Rojane Marta/Fatos de MT

Ilustração/Canva

chuva

A chegada das chuvas em Mato Grosso deve ser mais lenta neste ano. O boletim mensal do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 1º de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia em conjunto com o Inpe, a Agência Nacional de Águas, o Cemaden, o Serviço Geológico do Brasil, a Defesa Civil Nacional e o Censipam, prevê para o trimestre de setembro a novembro chuvas abaixo da média no centro-norte do país, onde está o estado, e temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional. É justamente nesse período que a região costuma sair da estação seca.

O documento aponta probabilidade superior a 90% de que o trimestre registre um El Niño de intensidade muito forte, segundo as previsões do Centro de Previsão Climática da agência americana NOAA divulgadas no início de agosto. Os modelos indicam ainda 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial podendo superar 2 graus entre a primavera e o verão.

Enquanto o Sul, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul devem receber volumes acima da média histórica, o centro e o norte do território tendem a ficar abaixo. A combinação entre calor elevado e pouca chuva, segundo o boletim, pode intensificar o déficit hídrico e ampliar o risco de incêndios florestais, especialmente se houver atraso no começo da estação chuvosa.

Esse atraso já havia sido apontado na edição anterior do mesmo boletim, publicada em julho. O texto registra que o fortalecimento do El Niño tende a retardar o estabelecimento da estação chuvosa no sul da Amazônia Legal, prolongando condições típicas do período seco durante parte da primavera.

O documento descreve um padrão de pancadas localmente intensas, distribuídas de forma irregular e intercaladas por períodos prolongados sem precipitação. Em agosto, os volumes médios mensais no centro-sul da Amazônia Legal, área que inclui Mato Grosso, podiam ficar abaixo de 20 milímetros, com aumento gradual ao longo do trimestre.

A previsão para o trimestre encerrado em outubro mostrou expansão das áreas classificadas em alerta alto para incêndios sobre o Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, e sobre a maior parte da Região Norte. Os órgãos recomendaram intensificar monitoramento, prevenção e preparação operacional para o combate ao fogo.

Na avaliação dos recursos hídricos, o estado aparece em duas situações distintas. Mato Grosso ficou livre de seca na atualização de junho do Monitor de Secas, o que o boletim destacou por se tratar do terceiro maior estado do país. Já a bacia do rio Paraguai, que abastece o Pantanal, apresenta seca entre severa e extrema e foi apontada como a situação hidrológica mais crítica do Brasil, agravada pelo acúmulo de déficits ao longo da última década.

O boletim também ressalva que a tendência de calor não significa temperatura alta todos os dias. A entrada de massas de ar frio pode provocar quedas bruscas, principalmente em setembro, sem alterar a média do trimestre.

Para acompanhar a evolução dia a dia, o Inmet mantém previsões e avisos meteorológicos atualizados de forma contínua no portal do instituto, com alertas classificados por nível de severidade e área de abrangência.

 

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