19 de Setembro de 2026
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Mato Grosso Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026, 20:53 - A | A

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254 MILHÕES DE ANOS

Nova espécie de peixe de 254 milhões de anos leva o nome de Mato Grosso

Da Redação

Reprodução/Journal of South American Earth Sciences

peixe

Um peixe de 15 centímetros que viveu num lago do sudeste de Mato Grosso há 254 milhões de anos foi identificado como uma espécie até então desconhecida. Batizado de Leolepis matogrossensis, o animal foi descrito a partir de um único fóssil encontrado a cerca de 50 quilômetros da cratera de Araguainha, a maior estrutura de impacto de asteroide da América do Sul.

O fóssil foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e permaneceu por duas décadas na coleção paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, até ser analisado por pesquisadores do Museu de História Natural de Londres e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O nome do gênero é uma homenagem ao geólogo, combinado com a palavra grega para escama.

O exemplar está quase inteiro. Peixes dessa idade encontrados no Brasil costumam aparecer em fragmentos, como dentes, escamas ou partes de ossos. A conservação permitiu aos pesquisadores examinar crânio, mandíbulas e escamas e comparar o animal com outras espécies antigas. Segundo o estudo, é o peixe do Permiano mais bem preservado já encontrado no estado.

As escamas eram formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais dos dentes humanos, e funcionavam como proteção. Os dentes pequenos indicam alimentação à base de pequenos invertebrados e vegetais. O animal vivia em um grande corpo de água doce que cobria parte do interior do continente, na Bacia do Paraná.

O peixe viveu cerca de dois milhões de anos antes da extinção Permo-Triássica, o maior evento de extinção já registrado na Terra, que eliminou a maior parte das espécies terrestres e quase todas as marinhas. A cratera de Araguainha, aberta pelo impacto de um asteroide de dois a três quilômetros de diâmetro, é praticamente da mesma época. Os autores afirmam, porém, que o peixe viveu antes da colisão e que as rochas onde o fóssil foi encontrado não sofreram alteração direta pelo impacto, embora formações vizinhas tenham sido deformadas.

O Leolepis pertence ao grupo dos actinopterígios, de nadadeiras raiadas, que hoje reúne cerca de 96% dos peixes ósseos, entre eles atum, salmão e bacalhau. Registros continentais desse grupo no Paleozoico sul-americano são escassos. O exemplar poderá servir de referência para identificar a mesma espécie em outros pontos da Bacia do Paraná. O estudo foi publicado em julho, em acesso aberto, no Journal of South American Earth Sciences.

A cratera de Araguainha fica na divisa com Goiás e tem 40 quilômetros de diâmetro. É uma das poucas do mundo inteiramente preservadas e integra a lista dos cem sítios de patrimônio geológico da União Internacional das Ciências Geológicas. O município de Araguainha, que dá nome à estrutura, tem 1.006 habitantes e é o quarto menor do Brasil em população.

 

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