Um adolescente de 16 anos investigado por ameaçar um massacre em uma escola estadual de Nova Brasilândia, a 180 quilômetros de Cuiabá, foi internado provisoriamente na manhã deste sábado (12) por ordem da Justiça. O mandado foi cumprido pela Polícia Civil, que conduziu a apuração por meio da Delegacia de Chapada dos Guimarães com apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Segundo a polícia, o jovem fez ameaças contra alunos da unidade, descreveu como agiria e guardava munições, uma faca e pesquisas sobre ataques a escolas no Brasil. A medida foi pedida pela própria Polícia Civil com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, diante do que a investigação classificou como risco elevado de a ameaça se concretizar.
Durante as diligências, a Polícia Civil apreendeu materiais e dispositivos que, segundo a investigação, mostraram que as ameaças não eram genéricas. O adolescente mencionou um massacre na escola e detalhou a forma como pretendia agir. Também foram encontradas munições e uma faca que, conforme a polícia, tinham relação com o ambiente escolar.
O histórico de pesquisas do jovem também entrou na apuração. Havia buscas sobre armas, violência e ataques ocorridos em escolas brasileiras, com referências aos massacres de Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011, e de Suzano, em São Paulo, em 2019. A polícia também identificou consultas a conteúdos que classificou como de extrema crueldade.
Um vídeo obtido durante a investigação também foi considerado no pedido de internação. Nas imagens, o adolescente aparece acompanhando uma terceira pessoa, ainda não identificada, no momento em que ela dispara uma arma de fogo. Para os investigadores, a gravação indica possível familiaridade com armamento e acesso a ele. A identidade de quem efetuou o disparo e a origem da arma seguem em apuração.
A investigação começou depois que o adolescente fez ameaças contra alunos da escola. A partir daí, a Delegacia de Chapada dos Guimarães, responsável pela área que abrange Nova Brasilândia, passou a colher informações e a apreender materiais, com suporte de inteligência da Abin. Com os elementos reunidos, a polícia concluiu que havia necessidade de intervenção imediata.
Na representação enviada à Justiça, a Polícia Civil sustentou que havia indícios de autoria e materialidade, gravidade concreta dos fatos e necessidade de preservar tanto a segurança do próprio adolescente quanto a ordem pública, requisitos previstos no ECA para a internação provisória. O pedido também levou em conta a repercussão social do caso no município e a necessidade de impedir a continuidade das ameaças. Segundo a análise policial, os elementos encontrados indicam mais do que manifestações de ameaça e poderiam apontar preparação para a prática de violência.
O adolescente responde pelo ato infracional equivalente ao crime de ameaça. Por ser menor de 18 anos, o caso segue o rito do ECA, e a internação provisória tem prazo máximo de 45 dias, período em que o Ministério Público e a Justiça da Infância e Juventude definem o prosseguimento do procedimento. A escola e o adolescente não são identificados por se tratar de menor de idade.
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