O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou nesta terça-feira (15) um novo vídeo em que repete as declarações que levaram a Justiça Eleitoral a determinar a retirada de uma postagem anterior. Na gravação, ele volta a associar eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a presos, integrantes de facções e usuários de drogas e pede que seguidores se manifestem como suas “testemunhas” na ação movida pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Na legenda, Abilio escreveu: “O PT me processou, você pode ser minha testemunha?”.
No início da gravação, o prefeito aparece segurando uma cópia da representação eleitoral e retoma as declarações feitas no vídeo anterior. Ele afirma que Lula apresenta bons números nas pesquisas porque o Brasil tem “muito tornozelado, muito faccionado” e pessoas que defendem “promiscuidade, aborto e droga”.
“Eu quero que você se posicione aí nos comentários se você pode ser minha testemunha, porque eu menti?”, diz.
Abilio afirma que poderia sustentar as declarações com vídeos de presos comemorando e de pessoas usando tornozeleira eletrônica fazendo o gesto de “L”.
“O problema não é eu ter dito isso. O problema é que às vezes a verdade incomoda muito”, afirma.
Na sequência, o prefeito reproduz novamente trechos de vídeos de terceiros usados na publicação anterior. Entre as falas exibidas estão frases como “Lula libera maconha” e “dá auxílio pra preso”.
Depois, Abilio repete uma das declarações citadas na decisão da Justiça Eleitoral.
“Gente, não sou eu que tô inventando isso. Isso aí é o próprio eleitor do Lula falando o que quer e o que o Lula dá”, afirma.
Decisão - O juiz auxiliar da propaganda eleitoral Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado deu prazo de 24 horas para que Abilio removesse o vídeo, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Na decisão, o magistrado entendeu que a publicação utilizava a desqualificação dos eleitores de Lula como argumento contra o PT e, ao mesmo tempo, para promover candidatos do PL.
A liminar, porém, não alcança automaticamente o vídeo publicado nesta terça-feira. O juiz rejeitou o pedido para impedir previamente a divulgação de conteúdos semelhantes por considerar que a medida configuraria censura prévia.
Segundo a decisão, eventuais novas publicações consideradas irregulares deverão ser questionadas individualmente na Justiça Eleitoral. Com isso, para tentar retirar a nova postagem, a Federação Brasil da Esperança terá de apresentar outro pedido ao TRE-MT.
Leia mais: TRE manda Abilio apagar vídeo que liga eleitores de Lula a presos, facções e drogas
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