O vereador de Várzea Grande Caio Cordeiro (Novo) afirmou ao Gaeco que o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), ofereceu R$ 100 mil para que votasse na reeleição dele para a Mesa Diretora. Segundo o depoimento, o dinheiro estaria em uma sacola no escritório que funciona na casa da mãe de Wanderley. O relato está na decisão judicial que autorizou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20). Caio diz que recusou a oferta.
Texto: Segundo Caio, Wanderley afirmava já ter 14 votos e dizia que os integrantes da chapa seriam levados a uma chácara ligada ao vereador Dr. Miguel antes da votação. A eleição de 14 de maio terminou em 12 a 11 e foi anulada depois pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A primeira proposta, segundo o depoimento, veio antes da eleição. Seriam R$ 10 mil por mês, supostamente pagos por uma concessionária de transporte. Caio disse que também recusou. Ele relatou que Wanderley teria mencionado receber ajuda financeira que poderia chegar a R$ 200 mil mensais para manter sua base política. O vereador ressalvou que não tem elementos para afirmar que outros colegas recebiam o "mensalinho". O que relatou foi apenas a proposta feita a ele.
A decisão registra que Caio foi aliado de Wanderley até meados de 2026. Nesse período, ele intermediou conversas entre representantes da Câmara, da prefeitura e da TV Cidade Verde para uma parceria institucional e comercial. Depois que a negociação fracassou, rompeu com o presidente da Câmara e com a prefeita Flávia Moretti (PL) e passou a defender uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o transporte coletivo prestado pela União Transportes e Turismo.
O vereador afirmou que projetos ligados à empresa eram barrados de forma sistemática e disse ter gravações em que alguém sugere retirar a CPI em troca de dinheiro. Em uma delas, um interlocutor diz que nem R$ 2 milhões resolveriam a questão. Segundo Caio, depois que ele insistiu na investigação, houve tentativa de levá-lo à Comissão de Ética para cassar seu mandato.
O depoimento também relata pressões. Caio disse ter sido ameaçado com a divulgação de uma gravação em que apareceria recebendo dinheiro. Ele explicou que fez empréstimos pessoais com Wanderley e que esses encontros podem ter sido gravados e usados fora de contexto. Afirmou ainda que servidores do gabinete dele foram exonerados depois que anunciou que não apoiaria a reeleição. Também atribuiu o afastamento da TV Cidade Verde, onde trabalhava como jornalista, à recusa em apoiar Wanderley.
Caio contou que teve furtada uma mochila com o notebook e documentos da fiscalização, entre eles as assinaturas para a CPI e uma gravação em que Wanderley lhe ofereceria dinheiro. Depois, recebeu contato de uma pessoa não identificada que exigia a retirada do boletim de ocorrência. A cobrança veio acompanhada da foto de uma arma de fogo. O vereador disse que não tem como atribuir o furto ou as ameaças aos políticos citados.
O depoimento menciona ainda Tião da Zaeli. Segundo Caio, ele lhe pediu apoio à reeleição de Wanderley e falou da perspectiva de cassação da prefeita, o que poderia levar o presidente da Câmara ao comando da prefeitura. Caio indicou ao Gaeco a casa da mãe de Wanderley como local de reuniões e propostas. Também apontou a diretora da Câmara Lorineide Inhan, conhecida como Lori, como pessoa de confiança do presidente por quem passariam contratos e negociações.
Na terça, abordado por jornalistas na Câmara, Caio não comentou o depoimento. Disse que tinha chegado atrasado, que acompanhou a operação pelas redes sociais e que "ninguém pode acusar" sem detalhes e "provas contundentes". Defendeu que a nova eleição da Mesa ocorra "o mais rápido possível".
Wanderley disse na terça que desconhecia a operação e que a achava "muito estranha". As declarações de Caio são relatos sob investigação e ainda serão confrontadas com outras provas.
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