O Gaeco monitorou uma chácara no distrito da Guia, em Várzea Grande, que pertence ao vereador Dr. Miguel (Cidadania), na véspera da eleição da Mesa Diretora da Câmara, marcada para 14 de maio. Os agentes registraram intensa movimentação no local e a presença dos vereadores Braz Jaciro, Émerson Magalhães e Sargento Galibert, segundo a decisão que autorizou a Operação Cathedra Venalis. Em seguida, a Rotam abordou um carro em que estavam os vereadores de Cuiabá Alex Rodrigues e Ilde Taques e um assessor parlamentar. A polícia encontrou R$ 40 mil em dinheiro vivo, sem comprovação imediata de origem.
O monitoramento começou depois de uma denúncia anônima. Segundo ela, mais de dez vereadores liderados por Wanderley Cerqueira (MDB), então presidente da Câmara e candidato à reeleição, estavam na chácara aguardando a sessão do dia seguinte, marcada para as 10h. O grupo estaria sob vigilância de homens armados, e uma grande quantia em espécie estaria sendo usada para comprar votos.
Os agentes identificaram ainda veículos ligados aos investigados. Depois, pediram apoio à Rotam, que parou um Volkswagen T-Cross preto ocupado por três pessoas ligadas à Câmara de Cuiabá: Alex, Ilde e o assessor Vanderlucio Rodrigues da Silva Junior. A abordagem foi feita diante da suspeita de que o carro transportava armas e dinheiro. Segundo a decisão, os R$ 40 mil foram apreendidos.
O vereador Caio Cordeiro, um dos depoentes, confirmou ao Gaeco ter conhecimento da reunião na chácara ligada a Dr. Miguel. Segundo ele, Wanderley dizia contar com 14 votos e informou que os integrantes da chapa seriam levados ao local antes da votação. Na eleição, Wanderley venceu por 12 a 11. O resultado foi anulado uma semana depois pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por ter sido feita antes do prazo.
Todos os vereadores citados no monitoramento e os ocupantes do carro estão entre os 20 alvos de busca e apreensão autorizados pelo juiz.
Na terça, os investigados deram suas versões. Dr. Miguel disse que houve uma confraternização na chácara antes da eleição e afirmou que o imóvel é do pai dele. "Eu falo pelo meu CPF. Eu tô de cabeça tranquila", declarou. Sargento Galibert confirmou ter estado no local: "Eu estive lá, sim". Questionado se houve compra de votos, respondeu: "Claro que não. A princípio não, tá?".
Alex Rodrigues, em nota, disse que foi a um almoço em Várzea Grande a convite de um amigo vereador, que ficou cerca de duas horas e saiu em seguida. Afirmou estar à disposição das autoridades. A nota não menciona a abordagem nem o dinheiro.
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)







